o desconexo

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26.3.09

a propósito de Susana

Começou aqui.
Com um reply aqui seguido da inteligente desmontagem aqui.
No início do segundo round muda-se de campo.

Para lá das razões e argumentos que se trocam nos referidos links e sobre as quais me apetecia escrever alguma coisa (não pelo projecto dos coches mas pelas maneiras de falar de projecto), fiquei intrigado pela Suzanne et les vieillards de Jacopo Tintoretto que Pedro Machado Costa escolheu para ilustrar o seu post, e até agora não consigo pensar em mais nada.

A pintura de Tintoretto evoca a história de Susana, uma história de contornos bíblicos atribuída ao profeta Daniel, sobre uma jovem de rara beleza desposada por um importante homem da Babilónia.
A história conta como Susana fora acusada de adultério por dois juízes anciãos e como fora salva da injustiça que se iria cometer, e da própria morte, pelo profeta.
Veio a descobrir-se que afinal, os dois anciãos, consumidos de paixão pela beleza da jovem, tinham por hábito espiá-la no seu habitual passeio nos jardins. Um dia, aproveitando uma ocasião em que Susana se encontrava sozinha para tomar o seu banho, os velhos surgiram diante de Susana e chantagearam-na para que se entregasse a eles. Se não o fizesse, os maldosos velhos ameaçaram denunciá-la ao marido dizendo que a viram envolvida com um rapaz no pomar.

Creio que a imagem foi criteriosa-e-metaforicamente escolhida.
A história de Susana e dos velhos vale por si só "meio-post".

Suzanne et les veillards, Jacopo Tintoretto

5 comentários:

camigui@gmail.com disse...

Foi uma debate animado que segui com interesse...! No entanto, a história da Susana é apenas uma metáfora para a (des)construção de uma resposta e pouco tem a ver com o projecto em si. Tem a ver com uma atitude e com uma forma de olhar para a arquitectura e as suas intrinsecas complexidades. O salto que se dá daqui (desta noção global) para concluir se o projecto é bom ou mau é, no minimo, complicado de se fazer...

tiago disse...

Não quero partilhar o teu ponto de vista claro e objectivo porque gosto da intriga da escolha da pintura.
Prefiro sublinhar que a Susana foi o cavalo de Tróia do post e portanto mais importante que a crítica ao projecto dos coches e ao (aparente) esvaziamento do post da Barriga.
Talvez se perceba o que digo com a leitura integral do texto em Dn 13, 1-64 e com uma vontade de alimentar teoricamente a "noção global".

Aquele abraço.

camigui@gmail.com disse...

eu percebo perfeitamente a intenção... acho é que o Daniel foi surpreendido com uma leitura mais ampla do aquela que ele queria dar ao início. Ele estava a falar de um projecto sem tentar "ferir" nada mais para além disso... e o Pedro extrapolou a questão de forma intencional. É quando a prática e a teoria não se encontram, ou melhor, até se encontram, mas a duas vozes...
abraço

camigui@gmail.com disse...

acabo de ler as adendas do Pedro ao seu próprio comentário e acho que fica tudo resumido com isto que ele lá colocou:

"Afinal não se pode exigir sensibilidade à poesia a nenhum arquitecto.
É que a poesia não faz parte da sua responsabilidade social."

quando-as-catedrais-eram-brancas disse...

Da última entrada, espero que ela tenho sido entendida de acordo com a intenção das palavras d'As Catedrais: ironia. Simples ironia.