o desconexo

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29.7.09

o canto (in)voluntário da arquitectura


Vista da instalação
"Playing the building" David Byrne, Fargfabriken, Estocolmo 2005

Trataram-se grunhidos na tômbola de comentários do post anterior para hoje se falar da arquitectura que, pelos dedos (ou pela cabeça) de David Byrne, canta. Cliquem aqui e prossigam a leitura.

Foi em dois mil e cinco que David Byrne, a cabeça mais falante dos quatro musicos, apresentou a instalação "Playing the building" no Fargfabriken, um edifício industrial do século XIX transformado em centro experimental para as artes em Estocolmo.
A instalação concentrou-se num armadilhado orgão de tubos colocado no centro da nave do edifício. Da traseira do órgão, uma centena de cabos foram amarrados a diferentes pontos do edifício, de forma a que cada toque de tecla correspondesse a uma acção específica infligida ao complexo. O existente, activado pelo dedo do homem, pelo toque da tecla, produziu uma sinfonia "do it yourself" (ou melhor: "explore it yourself") composta por colcheias de sibilos que atravessaram a canalização, por semibreves de antigos motores de clarabóias que resmungaram em diferentes tons e ainda percussões de ecos vibrantes saídas da estrutura de ferro fundido.

O que quis Byrne fazer com isto? Pôr o espaço a cantar, ou se preferirem, transformar a arquitectura num instrumento; opções que não são exactamente a mesma coisa; visto através do primeiro monoculo excluímos o instrumentista, ao invés, no segundo monóculo, está o instrumentista dentro do seu próprio instrumento. (Recomendo então a visão binocular, uma espécie de "today i discovered stereo sound".)
A instalação "Playing the building" explora a construção para lá dos limites do conhecimento dito normal. O visitante depara-se com a possibilidade de ultrapassar o estado de utilizador para se tornar activador do espaço-som. O activador torna-se (ainda por cima) uma espécie de produtor cognitivo. Os outros visitantes escutam e olham para ver como é? onde é? como faz?
O subversor engenho explora o inexplorado para produzir o inesperado. A acção torna-se num mecanismo de conhecimento do espaço e principalmente da matéria.
Como o conceito é daqueles fortes - os que deslocados do contexto inicial continuam a espantar - David Byrne levou "Playing the building" ao Batterie Maritime Museum, um antigo estaleiro naval de Manhattan (2008), e este ano vai re-instalar o mecanismo no Roundhouse, um pavilhão industrial londrino do século XIX, também transformado em centro para as artes.

Muitos dirão que são grunhidos enquanto outros arriscam dizendo que são "barulhos". Chamem-lhe música se quiserem, mas lá no fundo é arquitectura.


- Escutem aqui ou aqui duas composições (in)voluntário da arquitectura (pop-up)
- Fotos de "Playing the building" 2005 e 2008
- "Playing the Building" no site de David Byrne

Vista da instalação no Roundhouse, Londres (2009)

22.8.08

Everything That Happens Will Happen Today

"It's familiar but completely new as well. We're pretty excited." DB

O sr.Byrne está de volta com "Everything That Happens Will Happen Today" composto em colaboração com o sr.Eno, e que ainda por cima vem embrulhado num trabalho do sr.Sagmeister.
Ainda não tive tempo para me demorar na audição... mas o meu coup de coeur vai para a progressão da faixa "I feel my stuff" e para a "Poor boy", que me parecem ser as menos familiares e as mais excitantes do trabalho.
Depois das faixas, há um pequeno making off do trabalho.

Obs. Até ao momento o Grow Backwords, 2004, continua a ser para mim um dos melhores trabalhos do David Byrne.