o desconexo
21.12.13
um contributo
22.3.11
be

Não se sabe se é um acontecimento recorrente mas a poucas horas de deixar um lugar encontramos razões fortes para lá voltar. Falo da Bélgica. "What else ?..."
16.1.11
paisagem e teologia


7.8.10
graber pulver (actualizado)

18.7.10
7.1.10
já em documentário...
VISUAL ACOUSTICS - The modernism of Julius Schulman
A documentary film by Eric Bricker
29.7.09
o canto (in)voluntário da arquitectura

Foi em dois mil e cinco que David Byrne, a cabeça mais falante dos quatro musicos, apresentou a instalação "Playing the building" no Fargfabriken, um edifício industrial do século XIX transformado em centro experimental para as artes em Estocolmo.
A instalação concentrou-se num armadilhado orgão de tubos colocado no centro da nave do edifício. Da traseira do órgão, uma centena de cabos foram amarrados a diferentes pontos do edifício, de forma a que cada toque de tecla correspondesse a uma acção específica infligida ao complexo. O existente, activado pelo dedo do homem, pelo toque da tecla, produziu uma sinfonia "do it yourself" (ou melhor: "explore it yourself") composta por colcheias de sibilos que atravessaram a canalização, por semibreves de antigos motores de clarabóias que resmungaram em diferentes tons e ainda percussões de ecos vibrantes saídas da estrutura de ferro fundido.
O que quis Byrne fazer com isto? Pôr o espaço a cantar, ou se preferirem, transformar a arquitectura num instrumento; opções que não são exactamente a mesma coisa; visto através do primeiro monoculo excluímos o instrumentista, ao invés, no segundo monóculo, está o instrumentista dentro do seu próprio instrumento. (Recomendo então a visão binocular, uma espécie de "today i discovered stereo sound".)
O subversor engenho explora o inexplorado para produzir o inesperado. A acção torna-se num mecanismo de conhecimento do espaço e principalmente da matéria.
Como o conceito é daqueles fortes - os que deslocados do contexto inicial continuam a espantar - David Byrne levou "Playing the building" ao Batterie Maritime Museum, um antigo estaleiro naval de Manhattan (2008), e este ano vai re-instalar o mecanismo no Roundhouse, um pavilhão industrial londrino do século XIX, também transformado em centro para as artes.
Muitos dirão que são grunhidos enquanto outros arriscam dizendo que são "barulhos". Chamem-lhe música se quiserem, mas lá no fundo é arquitectura.
21.12.08
revista de imprensa II
O des-conexo descobriu a mono-kultur numa livraria.
A mono-kultur é uma pequena publicação alemã sobre arte, arquitectura e cultura.
Cada número da mono-kultur é composto em exclusivo por uma extensa e completa entrevista a um produtor da cena contemporânea, ou como os editores a descrevem: Conversations with the interesting few. In full length and depth, extensive and unfiltered.
O último número é o resultado de uma conversa com o trio da villa VPRO, do Mirador e de outras deambulações MVRDV: On statics and statistics.
A mono-kultur sai 4 vezes por ano a um preço apetecível saltando aleatoriamente na interdisciplinaridade temática a que se propõe. É escrita em inglês e na página web podem consultar os outros 17 números já publicados da revista.



link:
www.mono-kultur.com
mono-kultur
publisher Kai von Rabenau
Naunynstrasse 80
10997 Berlin
Germany
revista de imprensa I

Na crista da onda respondendo à crise com o número de dezembro: Gut und günstig / Bon et bon marché / Good and cheap .
(A Werk Bauen + Wohnen, revista suiça "da especialidade", já apareceu aqui no des-conexo a propósito da entrevista com o Frampton.)
13.12.08
restauro e extensão da villa garbald - miller & maranta

Em 1863 Gottfried Semper desenha a Villa Garbald para Agostino Garbald e a sua mulher escritora Johanna em Castasegna, uma pequena vila perto da fronteira com a Itália. A casa e a parcela são mais tarde doadas à ETH de Zurique que em 2001 promove o restauro da villa e uma extensão para ali instalar um centro de pesquisa e seminários.
O concurso foi ganho pela dupla Miller e Maranta que responde com um volume seco e esguio colocado a um canto da parcella nas traseiras da villa Garbald cuja referência conceptual são os roccoli, pequenas torres características da região do Tessin para a captura de pássaros.
O expressivo prisma pentagonal de planta irregular, colado ao muro da propriedade, eleva-se como um marco que delimita o jardim. Distingue-se da villa Garbald e das construções vizinhas pela depuração das suas linhas e pelas fachadas carimbadas de forma indistinta de janelas quadradas.
O piso térreo abre a sala principal para o jardim exterior através de um grande envidraçado. O interior cresce como uma espiral em torno de uma caixa de escadas irregular de lances sempre diferentes que distribuem para os quartos. No último piso a escada dilata-se para desembocar num pequeno foyer que oferece a paisagem longínqua do vale.







links
fotos Julien Blanc
E ainda um pequeno vídeo tirado da web com uma visita à villa Garbald:
12.12.08
o alinhamento dos críticos

Para além de falar do que todos nós já sabemos, desde a cultura do ícone ao vedetismo dos grandes escritórios de arquitectura, aponta dois ou três dardos contra o sistema a propósito da pirâmide que os H&dM querem poisar em Paris.
Curtis alerta para o esvaziamento do projecto: "le projet architectural risque une réduction au niveau de la surface, du signe et de l'effet éphémère" , e considera que o estado actual das grandes encomendas nao é mais do que uma degeneração do efeito bilbao.
Frampton já tocou neste assunto na entrevista que postei aqui, agora foi a tacada de Curtis, outros virão porque é inevitável perante a "crise" que não se interrogue a (in)disciplina.
4.12.08
democracia participativa

Acceptez-vous le décret du 20 mai 2008 accordant un crédit d'investissement de CHF 390'000 dans le cadre de la construction du nouveau Musée cantonal des Beaux-Arts (MCBA) pour les études et la mise au point du projet Ying-Yang en vue de sa mise à l'enquête sur le site de Bellerive, la détermination du montant de son investissement et la détermination de ses coûts d'exploitation ?
25.11.08
architecture is a fragile enterprise

O Modern Architecture - A critical history de 1980 foi re-editado, revisto e ampliado o ano passado. Quem comprar a quarta edição tem um novo capítulo para ler!
Kenneth Frampton deu uma entrevista à Werk Bauen+Wohnen (uma das melhores revistas helvéticas de arquitectura) que vale a pena ler... e ler várias vezes.
Se há uns post atrás eu e os comentadores de serviço do des-conexo nos manifestávamos em prol dos possíveis efeitos benéficos da crise, o Frampton fala disso mesmo... ou melhor, fala da necessidade de uma arquitectura de princípios. Volta a bater na tecla do estrelado, da ideia de marca, e de como este marketing estilístico à escala global é um castrador criativo das grandes fábricas de arquitectura. Fala da ideia de valores para contrapor ao "vale tudo", actualiza o regionalismo crítico e a tectónica, e ainda cita Siza...
"The received idea that there are no principles in architecture today and that anything goes is pernicious.
"The Olympic Stadium in Beijing, designed by Herzog and de Meuron, demonstrates the paradox of the spectacular in architecture. From a technical standpoint this is an exceptionally regressive and unethical structure. The colossal amount of steel used or rather misused, exemplifies what Tomas Maldonado once called the “ideology of waste,” as opposed to waste that unavoidably occurs when something is fabricated.
"I believe there is no significant innovation without tradition and that there is no living tradition without innovation. The fact that these two processes are ultimately inseparable totally repudiates the vain neo-avant-gardist notion that the architecture could or should be an open-ended value free experiment.
"I think that the task of a critic is to call attention to such work, to the work of so-called unknown architects, and in so doing help to establish them as points of reference in a more general discourse regarding what architecture is and what it could possibly be in the future.
"In my experience such lesser-known work is often superior to the work of the star architects. Perhaps this is a result of the very circumstances of success, the fact that a star or brand architect often has too much work and the fact that famous architects are often commissioned by clients because of a particular image for which they are famous; the client wants just that image and nothing else, nothing more.
Para ler e reler a entrevista de Petra Ceferin a Kenneth Frampton na íntegra basta carregar aqui.
18.11.08
notas sobre a crise
Creio que crise é, antes demais, um sentimento, um estado gerado por uma situação diferente, não prevista, e para a qual não parece existir uma solução rápida e eficiente. Crise será talvez o nome pelo qual chamamos à nossa incapacidade de reagirmos a uma situação que não dominamos e sobre a qual perdemos o controlo.
2 no-money = no-architecture (?)
Se de facto a europa está a mergulhar numa grave recessão económica:
quando e como chegará a crise à arquitectura?
3 "Frozen Skyline"
E eis que tropeço num artigo intitulado "Frozen skyline" de Jonathan Glancey no Guardian. O título, mais feliz do que o conteúdo, concretiza a possível estagnação da arquitectura nos próximos anos.
Glancey começa por lembrar que há 30 anos, durante a última recessão, 40% dos arquitectos perderam o emprego, e segue dizendo que a crise já começou a atingir os grandes. Recentemente o maior projecto de Frank Gehry em Inglaterra caiu porque o promotor não conseguiu encontrar financiamento para os novos 450 apartamentos na zona de Brighton.
No final do artigo Jonathan Glancey nomeia os destinos mais atractivos da temporada: Dubai, Abu Dhabi, India, Russia e Africa do Sul, ou seja, onde há liquidez, investimento e emprego para arquitectos.
4 Acredito que as limitações, sejam económicas ou de outro tipo, estimulam o processo de projecto. Por isso estou optimista e expectante porque quando a crise chegar à arquitectura teremos dados que colocarão em causa as formas de se fazer a arquitectura e principalmente as formas de a pensar.
E isso é bom.
7.11.08
2.11.08
F'Ar e Charles Pictet
Lausanne tem uma dinâmica cultural pouco comum para uma cidade de 130 mil pessoas. A panóplia de eventos que acontecem e que de facto têm públicos, digo salas cheias, é muito grande. Não encontramos uma sala vazia mesmo em concertos de musica erudita aos domingos de manhã na sala Métropole. Curiosamente há apenas uma associação que se presta à divulgação e organização de exposições relacionadas com a arquitectura.
O f'ar, forum d'architectures, tem em cena a sexta edição de Carte Blanche. A iniciativa funciona na base de exposição+conferencia para a qual são convidados 3 arquitectos, a quem é dada uma carta branca como ilustra o nome do evento para mostrarem a sua produção recente.
A presente sexta edição conta com Bakker&Blanc (Lausanne) , Charles Pictet (Genebra) e Ruffieux-Chehab (Fribourg). O espaço de exposição é relativamente pequeno e calhou a cada arquitecto o seu "cantinho".
Estive por lá.
Charles Pictet associou-se a um artista para mostrar 3 obras recentes: maquetes e videos deambulantes. Gosto de videos porque juntam imagem e som e tornam mais presente o espaço e a atmosfera, mas no caso dos videos apresentados por Charles Pictet a situação resulta mal porque os videos são rodados por alguém que se passeia com os olhos colados a 20 cm das paredes. As imagens rodadas descobrem mal o espaço e não complementam as maquetes para entendermos melhor a situação, o ambiente. É pena.
Deixo imagens das três realizações de Charles Pictet em exposição. (Cada imagem tem um link para o projecto em pictet-architectes.ch)
Habitaçao em Chenes-Bougerie (source: www.pictet-architecte.ch)
Habitaçao em Chenes-Bougerie (source: www.pictet-architecte.ch)
Orangerie em Vandoeuvres (source: www.pictet-architecte.ch)Nos próximos posts teremos Bakker&Blanc...
NU exposed
Há uma exposição no dARQ que visita os arquivos dos primeiros sete anos da pequena revista e serve de mote para a rentrée de uma redacção.
De 3 de Novembro a 4 de Dezembro.
Ainda não tenho imagens mas já há cartaz.


25.9.08
bienal, sexo e recessao
A crítica afiada de Long toca nos lobbys, nos "arquitectos quase-artistas", e desmonta com humor as obras/instalaçoes/performances (ou como lhe queiram chamar) em exposiçao.
Com algumas excepçoes, o cepticismo de K.Long alerta-nos para o vazio e para a recessao em que mergulhou a "Elite of the Architectural Avant-Garde". (No seu texto nao fala do pavilhao portugues, mas se calhar nao ha nada para dizer).
Venice architecture biennale is like nerds talking about sex.
Kieran Long
This year's Venice architecture biennale has been hijacked by awkward ambassadors of the parametric mafia and the elite of the avant-garde...
LINK
via:Andreas Ruby
16.9.08
ATP, UEFA, FIFA, BAUNETZ
A Baunetz (portal de arquitectura alemã) mantém um ranking de escritórios de arquitectura classificados através de um critério de pontos consoante o numero de vezes que são publicados nas "revistas da especialidade".
O site alemão considera publicações como a Bauwelt, Architectural Review, Detail, A+U, Architektur Aktuell, Domus, L'architecture d'Aujourd'hui, Werk Bauen und Wohnen , entre outras) como referência para montar o ranking, e criou uma tabela de pontos consoante o destaque da noticia, o numero de ilustracoes e o numero de páginas dedicadas ao projecto ou à empresa.
Os representantes helvéticos são 18 no top1oo internacional encabeçado (obviamente) pelos H&dM no 2ºlugar. Siza ocupa o 11º lugar com 113 pontos a 17 pontos do 10ºlugar do japonês Toyo Ito. (Escrito desta forma poderiamos estar a falar de um qualquer outro "desporto".)
O des-conexo publica o top do ranking Baunetz que nao seria muito dificil de adivinhar:
1. OMA (Rem Koolhas), Rotterdam
2. Herzog & de Meuron, Bâle
3. Steven Holl Architects, New York
4. Zaha Hadid, Londres
5. Sanaa Architects (Kazuyo Sejima et Ryue Nishizawa), Tokyo.
7. Jean Nouvel, Paris
8. David Chiperfield Architects, Londres
9.Foster & Partners, Londres
10.MVRDV, Rotterdão.
Este ranking assenta numa peneira de diferentes perspectivas editoriais que adicionadas estratifica os "melhores" dos "menos bons", ou pelo menos, os mais mediáticos dos anónimos. Nao podendo com isto dizer que os "melhores" fazem "melhor" arquitectura, o gradiente classificativo transmite uma ideia de sucesso e visibilidade das respectivas empresas. (o meu prognóstico para o próximo ano é que teremos os SANAA no 3º lugar ou mesmo no 2º posto!)







