o desconexo

_
Mostrar mensagens com a etiqueta arquitectura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta arquitectura. Mostrar todas as mensagens

21.12.13

um contributo

Estava para começar este texto a tricotar ideias sobre as escolas de arquitectura e os privilégios dessas incubadoras de projecto, apenas e só(!) para vos falar de um contributo discreto mas muitíssimo bem cultivado que cresce na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Munique, TUM para os amigos.
Bruno Krucker (von Ballmoos Krucker Architekten) e Stephen Bates (Sergison Bates Architects) são os titulares do Studio Krucker Bates, uma disciplina de projeto engajada nos temas da cidade e da habitação, cimentada no equilíbrio entre o exercício-de-projeto e a investigação.
O Studio Krucker Bates publica anualmente os Building Register, título genérico de um programa de investigação cujo objecto de estudo são edifícios de habitação de relevância histórica no tema da habitação. Os Building Register não são mais do que fascículos de recenseamento de obras de referencia, e dito assim parece pouco, não fossem feitas com uma dedicação e cuidado que se vê, e que as coloca entre as mais bonitas publicações sobre arquitectura que lembro.
Num papel mate e amável ao toque, o texto descritivo do projeto é factual e aparece arrumado nas primeiras páginas. Dando a César o que é de César, seguem-se conjuntos de desenhos técnicos extremamente educados, que calcam as escalas certas no momento certo, como se fosse possível transformar um recenseamento em narrativa. O todo é ilustrado com fotografias de um realismo seco e eficiente porque num objecto assim o acaso tem pouca margem. As capas, preenchidas de texturas autocad, escondem ainda uma impressão grande formato do objecto investigado.
Sem serem espetaculares ou especulativos, sem serem temáticos ou em formato de revista-tão-na-moda, os Building Register são sérios candidatos à categoria da intemporalidade. São um testemunho do compromisso vitruviano - prática e a teoria - sendo que o ratiocinatio não precisa de ser escrito, mas, neste caso, basta ser bem desenhado. Um contributo obrigatório a ter em cada biblioteca de arquitectura.

Obras publicadas:
Borstei housingLes BleuetsRobin Hood Gardens, The English Terraced House, Fuggerei, Beguinage Kortrijk, Hardwick HallHornbaekhus, Parc Plein Soleil. 





22.3.11

be


Não se sabe se é um acontecimento recorrente mas a poucas horas de deixar um lugar encontramos razões fortes para lá voltar. Falo da Bélgica. "What else ?..."

16.1.11

paisagem e teologia

Dois projectos distintos de génese e contextos diferentes, mas que tratam (quase) do mesmo. Lewerentz e Zumthor em 'como rezar no campo'.

Desenho de estudo, Chapel of St.Gertrud and St. Knut Bell-tower (1935-43), Sigurd Lewerentz

Bruder Klaus Kapelle, Wachendorf (DE), Peter Zumthor (detalhe de foto via)


7.8.10

graber pulver (actualizado)

Uma das instituições mais importantes numa estrutura social é, ou poderia ser, a escola de arquitectura. É um organismo de que se fala muito pouco e cuja relevância na dinâmica social em Portugal tem espaço para a progressão num momento em que falamos da força dos mercados culturais. De entre as suas qualidades há uma que pode fazer uma enorme diferença na qualidade do ensino que se pratica: é a possibilidade incluir aulas de projecto leccionadas por professores convidados. Como em muitas escolas, esta é uma prática comum na Suiça, e tomo como exemplo a ETH de Zurique e a ETH de Lausanne. Ao aluno é dado a escolher entre vários ateliers de projecto, normalmente com a duração de um semestre, concebidos por arquitectos convidados. Como produto da geração erasmus tenho sobre esta matéria um olhar claramente viciado por ter passado pela experiência.
Uma organização deste tipo apresenta dois dados importantes: um ensino claramente mais próximo da prática corrente e dos problemas contemporâneos, e a pluri-disciplinaridade da formação oferecida pelas diferentes temáticas em jogo, ou seja, entre os vários ateliers. Inerente à situação está o facto dos programas de estudo propostos pelos professores convidados estarem intrinsecamente ligados a uma visão própria, ou a um centro de interesses específico, situação que cria uma relativa intimidade do processo de formação.
Seja em relação ao corpo académico ou ao contexto regional, a situação estrangeira de grande parte das personalidades acentua a forte componente de contaminação cultural. Algumas das experiências de docência resultam em publicações de carácter não académico mas ainda assim pedagógico que fixam a especificidade dos processos acima descritos, e como é o caso do livro que se segue.

'Raumsequenzen und urbane infrastrukturen - Spatial sequences and urban infrastructures' é a publicação que relata a docência de Marco Graber (1962) e Thomas Pulver (1962) durante o periodo 2006-08 como professores convidados na disciplina de projecto do curso de arquitectura da ETH de Zurique. Graber Pulver é também o nome do escritório fundado em 1992 pelo dois arquitectos suiços, também formados na ETHZ entre 83-89.
Importa aqui reter ou destacar duas ou três ideias do ensaio introdutório, da autoria de Graber e Pulver, que deram a tónica aos exercícios propostos e que são simultaneamente preocupações presentes na sua prática enquanto arquitectos.
Como o título sugere, os exercícios focalizam-se na resolução de programas de âmbito infra-estrutural; equações que pela complexidade e pelo o seu papel são capazes de se inscrever na ordem primária de um tecido urbano, ou possuem uma força capaz de gerar uma nova urbanidade. No seu ensaio, Graber e Pulver sublinham a importância da criação de identidade num determinado contexto através o potencial espacial de um projecto; situação patente, por exemplo, no projecto da dupla para um conjunto habitacional em Shafereiareal (Zollikofen, BE, 1993).
A dupla fala também de "dramaturgia espacial" - uma expressão feliz - para ilustrar o que consideram ser mecanismos de re-definição da identidade de um lugar; situação trabalhada, por exemplo, no projecto a concurso para o centro Alterszentrum em Zug (2004). Este projecto afirma uma volumetria estrangeira ao contexto mas ainda assim guarda uma forte referência aos volumes existentes.
Nos exercícios académicos na ETHZ, como no trabalho de Graber e Pulver, o conceito de movimento/deslocação tem direito a uma forte mise-en-scène; na grande escala estas ideias acentuam a importância de novas sequências urbanas, na pequena escala originam muitas vezes o gesto em que se funda o projecto, como as escadas do bloco Rondo em Zurique (2004-07) ou a circulação na proposta de concurso para a reconstrução da pousada no Gottardpass (2005).
Os exercícios propostos durante os 4 semestres foram: Hypercrans - um interface de teleféricos com hotel, apartamentos, zona de comércio, desporto e spa no contexto alpino da região de Crans-Montana; Autopark - um complexo para carros, interface de autocarros, e outras funções adjacentes como bomba de gasolina e stand de vendas; Tanzbern - um edifício forum para a dança no cantão de Bern com centro de documentação, hotel, restaurantes e salas de espectáculo; e Bergbad - um complexo de centros de bem-estar e descanso no Val Sinestra, Alpes suiços. A publicação, que serve para relatar experiência de ensino e compreender melhor o trabalho da dupla Graber Pulver, tem ainda ensaios de Andreas Ruby, Axel Simon, Nadine Olonetzku e Judit Solt, e é editado pela Scheidegger & Spiess.



7.1.10

já em documentário...

"Your pictures are incredible for an amateur and better than most professionals..."



VISUAL ACOUSTICS - The modernism of Julius Schulman
A documentary film by Eric Bricker
(com destaque para a narração de Dustin Hoffman!)


29.7.09

o canto (in)voluntário da arquitectura


Vista da instalação
"Playing the building" David Byrne, Fargfabriken, Estocolmo 2005

Trataram-se grunhidos na tômbola de comentários do post anterior para hoje se falar da arquitectura que, pelos dedos (ou pela cabeça) de David Byrne, canta. Cliquem aqui e prossigam a leitura.

Foi em dois mil e cinco que David Byrne, a cabeça mais falante dos quatro musicos, apresentou a instalação "Playing the building" no Fargfabriken, um edifício industrial do século XIX transformado em centro experimental para as artes em Estocolmo.
A instalação concentrou-se num armadilhado orgão de tubos colocado no centro da nave do edifício. Da traseira do órgão, uma centena de cabos foram amarrados a diferentes pontos do edifício, de forma a que cada toque de tecla correspondesse a uma acção específica infligida ao complexo. O existente, activado pelo dedo do homem, pelo toque da tecla, produziu uma sinfonia "do it yourself" (ou melhor: "explore it yourself") composta por colcheias de sibilos que atravessaram a canalização, por semibreves de antigos motores de clarabóias que resmungaram em diferentes tons e ainda percussões de ecos vibrantes saídas da estrutura de ferro fundido.

O que quis Byrne fazer com isto? Pôr o espaço a cantar, ou se preferirem, transformar a arquitectura num instrumento; opções que não são exactamente a mesma coisa; visto através do primeiro monoculo excluímos o instrumentista, ao invés, no segundo monóculo, está o instrumentista dentro do seu próprio instrumento. (Recomendo então a visão binocular, uma espécie de "today i discovered stereo sound".)
A instalação "Playing the building" explora a construção para lá dos limites do conhecimento dito normal. O visitante depara-se com a possibilidade de ultrapassar o estado de utilizador para se tornar activador do espaço-som. O activador torna-se (ainda por cima) uma espécie de produtor cognitivo. Os outros visitantes escutam e olham para ver como é? onde é? como faz?
O subversor engenho explora o inexplorado para produzir o inesperado. A acção torna-se num mecanismo de conhecimento do espaço e principalmente da matéria.
Como o conceito é daqueles fortes - os que deslocados do contexto inicial continuam a espantar - David Byrne levou "Playing the building" ao Batterie Maritime Museum, um antigo estaleiro naval de Manhattan (2008), e este ano vai re-instalar o mecanismo no Roundhouse, um pavilhão industrial londrino do século XIX, também transformado em centro para as artes.

Muitos dirão que são grunhidos enquanto outros arriscam dizendo que são "barulhos". Chamem-lhe música se quiserem, mas lá no fundo é arquitectura.


- Escutem aqui ou aqui duas composições (in)voluntário da arquitectura (pop-up)
- Fotos de "Playing the building" 2005 e 2008
- "Playing the Building" no site de David Byrne

Vista da instalação no Roundhouse, Londres (2009)

21.12.08

revista de imprensa II

mono-kultur #18 _ autumn 2008

O des-conexo descobriu a mono-kultur numa livraria.

A mono-kultur é uma pequena publicação alemã sobre arte, arquitectura e cultura.
Cada número da mono-kultur é composto em exclusivo por uma extensa e completa entrevista a um produtor da cena contemporânea, ou como os editores a descrevem: Conversations with the interesting few. In full length and depth, extensive and unfiltered.

O último número é o resultado de uma conversa com o trio da villa VPRO, do Mirador e de outras deambulações MVRDV: On statics and statistics.

A mono-kultur sai 4 vezes por ano a um preço apetecível saltando aleatoriamente na interdisciplinaridade temática a que se propõe. É escrita em inglês e na página web podem consultar os outros 17 números já publicados da revista.




link:
www.mono-kultur.com
mono-kultur
publisher Kai von Rabenau
Naunynstrasse 80
10997 Berlin
Germany

revista de imprensa I


Na crista da onda respondendo à crise com o número de dezembro: Gut und günstig / Bon et bon marché / Good and cheap .

(A Werk Bauen + Wohnen, revista suiça "da especialidade", já apareceu aqui no des-conexo a propósito da entrevista com o Frampton.)

13.12.08

restauro e extensão da villa garbald - miller & maranta



Em 1863 Gottfried Semper desenha a Villa Garbald para Agostino Garbald e a sua mulher escritora Johanna em Castasegna, uma pequena vila perto da fronteira com a Itália. A casa e a parcela são mais tarde doadas à ETH de Zurique que em 2001 promove o restauro da villa e uma extensão para ali instalar um centro de pesquisa e seminários.
O concurso foi ganho pela dupla Miller e Maranta que responde com um volume seco e esguio colocado a um canto da parcella nas traseiras da villa Garbald cuja referência conceptual são os roccoli, pequenas torres características da região do Tessin para a captura de pássaros.
O expressivo prisma pentagonal de planta irregular, colado ao muro da propriedade, eleva-se como um marco que delimita o jardim. Distingue-se da villa Garbald e das construções vizinhas pela depuração das suas linhas e pelas fachadas carimbadas de forma indistinta de janelas quadradas.
O piso térreo abre a sala principal para o jardim exterior através de um grande envidraçado. O interior cresce como uma espiral em torno de uma caixa de escadas irregular de lances sempre diferentes que distribuem para os quartos. No último piso a escada dilata-se para desembocar num pequeno foyer que oferece a paisagem longínqua do vale.








links
informação gráfica (pdf)
fotos Julien Blanc


E ainda um pequeno vídeo tirado da web com uma visita à villa Garbald:



















12.12.08

o alinhamento dos críticos



Tropecei num artigo do historiador William Curtis (o autor do conhecido tijolo "Modern architecture since 1900") com o título "Les excès du star system: le projet Triangle de Herzog et de Meuron".
Para além de falar do que todos nós já sabemos, desde a cultura do ícone ao vedetismo dos grandes escritórios de arquitectura, aponta dois ou três dardos contra o sistema a propósito da pirâmide que os H&dM querem poisar em Paris.
Curtis alerta para o esvaziamento do projecto: "le projet architectural risque une réduction au niveau de la surface, du signe et de l'effet éphémère" , e considera que o estado actual das grandes encomendas nao é mais do que uma degeneração do efeito bilbao.
Fruto da hiper-inflação do objecto arquitectónico, a velocidade de produção exigida às grandes fábricas de arquitectura colide com a ideia de "tempo de projecto" como tempo de reflexão sobre as problemáticas da cidade, em suma, do contexto. A resposta dada é como um balão de forma exuberante mas cheio de demasiado ar.

Curtis alonga-se.

Tenta desmontar a pirâmide, relata o conflito entre "l'object isolé servant les intérêts privés et le domaine public de la ville" que está em jogo com o projecto dos H&dM e lembra que "Paris n'est ni las Vegas, ni Dubai".

A ler no site do le moniteur.

Frampton já tocou neste assunto na entrevista que postei aqui, agora foi a tacada de Curtis, outros virão porque é inevitável perante a "crise" que não se interrogue a (in)disciplina.
Mas de que forma é que este alinhamento dos críticos vai influenciar o posicionamento dos arquitectos?

4.12.08

democracia participativa


30 de novembro foi dia de referendos.
Os suiços lá foram às urnas meter as suas cruzinhas sobre numerosos assuntos de entre os quais estava a pergunta sobre o novo museu cantonal de belas artes de Lausanne, que os visitantes mais assíduos desta janela leram aqui.

A questão para os suiços do cantão de Vaud era clara e simples:
Acceptez-vous le décret du 20 mai 2008 accordant un crédit d'investissement de CHF 390'000 dans le cadre de la construction du nouveau Musée cantonal des Beaux-Arts (MCBA) pour les études et la mise au point du projet Ying-Yang en vue de sa mise à l'enquête sur le site de Bellerive, la détermination du montant de son investissement et la détermination de ses coûts d'exploitation ?

100 722 nãos ganharam aos 91 349 sims com uma taxa de participação que chegou aos 51%, resultado que afundou o projecto do novo museu à beira do lago e remeteu todo o processo a um quase-ponto-de-partida. Os opositores ganharam a principal batalha que não era contra a ideia e a necessidade de um novo museu mais contra a sua implantação à beira do lago por príncipios de salvaguarda da paisagem e do património natural.
Não negligencio o impacto que este rochedo sem janelas à moda de museu contemporâneo teria nas margens do lago, mas o contra-senso é que o lugar previsto não é mais do que um terreno "baldio" ao lado de um tapete de alfalto que serve de parque de estacionamento onde anualmente montam as barraquinhas da feira popular.
Findo o referendo o brainstorming sobre o novo museu anima agora os círculos culturais e políticos da cidade.

vverissimo/24h
Lausanne precisa de um novo museu basicamente por duas razões.
Primeiro: porque o Palais de Rumine no estado em que está programado não tem disponibilidade mural para expor a totalidade do acervo que tem enterrado na cave
Segundo: porque a adormecida Lausanne precisa de acção. Digo acção, digo uma arquitectura que sirva os ideais das altas instâncias d'um ícone-à-maneira com um programa que sirva o dito, digo mini-efeito bilbao. (A localização proposta, à beira do lago, deslocada dos principais eixos de movimentos urbanos e longe do centro, aspirava isso mesmo.)

Para já a maioria dos Lausanoises não percebeu isso, e os que perceberam não quiseram o museu à beira do lago e por isso votaram não. É o poder da democracia participativa.

25.11.08

architecture is a fragile enterprise



O Modern Architecture - A critical history de 1980 foi re-editado, revisto e ampliado o ano passado. Quem comprar a quarta edição tem um novo capítulo para ler!

Kenneth Frampton deu uma entrevista à Werk Bauen+Wohnen (uma das melhores revistas helvéticas de arquitectura) que vale a pena ler... e ler várias vezes.
Se há uns post atrás eu e os comentadores de serviço do des-conexo nos manifestávamos em prol dos possíveis efeitos benéficos da crise, o Frampton fala disso mesmo... ou melhor, fala da necessidade de uma arquitectura de princípios. Volta a bater na tecla do estrelado, da ideia de marca, e de como este marketing estilístico à escala global é um castrador criativo das grandes fábricas de arquitectura. Fala da ideia de valores para contrapor ao "vale tudo", actualiza o regionalismo crítico e a tectónica, e ainda cita Siza...

"The received idea that there are no principles in architecture today and that anything goes is pernicious.
"The Olympic Stadium in Beijing, designed by Herzog and de Meuron, demonstrates the paradox of the spectacular in architecture. From a technical standpoint this is an exceptionally regressive and unethical structure. The colossal amount of steel used or rather misused, exemplifies what Tomas Maldonado once called the “ideology of waste,” as opposed to waste that unavoidably occurs when something is fabricated.
"I believe there is no significant innovation without tradition and that there is no living tradition without innovation. The fact that these two processes are ultimately inseparable totally repudiates the vain neo-avant-gardist notion that the architecture could or should be an open-ended value free experiment.

"
I think that the task of a critic is to call attention to such work, to the work of so-called unknown architects, and in so doing help to establish them as points of reference in a more general discourse regarding what architecture is and what it could possibly be in the future.

"
In my experience such lesser-known work is often superior to the work of the star architects. Perhaps this is a result of the very circumstances of success, the fact that a star or brand architect often has too much work and the fact that famous architects are often commissioned by clients because of a particular image for which they are famous; the client wants just that image and nothing else, nothing more.

Para ler e reler a entrevista de Petra Ceferin a Kenneth Frampton na íntegra basta carregar aqui.

18.11.08

notas sobre a crise

1 Tenho pensado na crise de que se fala.
Creio que crise é, antes demais, um sentimento, um estado gerado por uma situação diferente, não prevista, e para a qual não parece existir uma solução rápida e eficiente. Crise será talvez o nome pelo qual chamamos à nossa incapacidade de reagirmos a uma situação que não dominamos e sobre a qual perdemos o controlo.

2 no-money = no-architecture (?)
Se de facto a europa está a mergulhar numa grave recessão económica:
quando e como chegará a crise à arquitectura?

3 "Frozen Skyline"
E eis que tropeço num artigo intitulado "Frozen skyline" de Jonathan Glancey no Guardian. O título, mais feliz do que o conteúdo, concretiza a possível estagnação da arquitectura nos próximos anos.
Glancey começa por lembrar que há 30 anos, durante a última recessão, 40% dos arquitectos perderam o emprego, e segue dizendo que a crise já começou a atingir os grandes. Recentemente o maior projecto de Frank Gehry em Inglaterra caiu porque o promotor não conseguiu encontrar financiamento para os novos 450 apartamentos na zona de Brighton.
No final do artigo Jonathan Glancey nomeia os destinos mais atractivos da temporada: Dubai, Abu Dhabi, India, Russia e Africa do Sul, ou seja, onde há liquidez, investimento e emprego para arquitectos.

4 Acredito que as limitações, sejam económicas ou de outro tipo, estimulam o processo de projecto. Por isso estou optimista e expectante porque quando a crise chegar à arquitectura teremos dados que colocarão em causa as formas de se fazer a arquitectura e principalmente as formas de a pensar.
E isso é bom.

7.11.08

parabéns ao senhor que ganhou

Capa da
Architecture d'Aujourd'hui - USA 71
numero 171 - Agosto/Setembro 1971

2.11.08

F'Ar e Charles Pictet

f'ar_carte blanche 6_lausanne

Lausanne tem uma dinâmica cultural pouco comum para uma cidade de 130 mil pessoas. A panóplia de eventos que acontecem e que de facto têm públicos, digo salas cheias, é muito grande. Não encontramos uma sala vazia mesmo em concertos de musica erudita aos domingos de manhã na sala Métropole. Curiosamente há apenas uma associação que se presta à divulgação e organização de exposições relacionadas com a arquitectura.

O f'ar, forum d'architectures, tem em cena a sexta edição de Carte Blanche. A iniciativa funciona na base de exposição+conferencia para a qual são convidados 3 arquitectos, a quem é dada uma carta branca como ilustra o nome do evento para mostrarem a sua produção recente.
A presente sexta edição conta com Bakker&Blanc (Lausanne) , Charles Pictet (Genebra) e Ruffieux-Chehab (Fribourg). O espaço de exposição é relativamente pequeno e calhou a cada arquitecto o seu "cantinho".
Estive por lá.

Charles Pictet associou-se a um artista para mostrar 3 obras recentes: maquetes e videos deambulantes. Gosto de videos porque juntam imagem e som e tornam mais presente o espaço e a atmosfera, mas no caso dos videos apresentados por Charles Pictet a situação resulta mal porque os videos são rodados por alguém que se passeia com os olhos colados a 20 cm das paredes. As imagens rodadas descobrem mal o espaço e não complementam as maquetes para entendermos melhor a situação, o ambiente. É pena.
Deixo imagens das três realizações de Charles Pictet em exposição. (Cada imagem tem um link para o projecto em pictet-architectes.ch)

Habitaçao em Chenes-Bougerie (source: www.pictet-architecte.ch)
Habitaçao em Chenes-Bougerie (source: www.pictet-architecte.ch)

Orangerie em Vandoeuvres (source: www.pictet-architecte.ch)

Nos próximos posts teremos Bakker&Blanc...

NU exposed

A NU está a passar por um momento "Siddharta".
Há uma exposição no dARQ que visita os arquivos dos primeiros sete anos da pequena revista e serve de mote para a rentrée de uma redacção.
De 3 de Novembro a 4 de Dezembro.
Ainda não tenho imagens mas já há cartaz.



25.9.08

bienal, sexo e recessao

Kieran Long visitou a bienal, escreveu sobre o que viu e viu que a "arquitectura" bateu no fundo.
A crítica afiada de Long toca nos lobbys, nos "arquitectos quase-artistas", e desmonta com humor as obras/instalaçoes/performances (ou como lhe queiram chamar) em exposiçao.
Com algumas excepçoes, o cepticismo de K.Long alerta-nos para o vazio e para a recessao em que mergulhou a "Elite of the Architectural Avant-Garde". (No seu texto nao fala do pavilhao portugues, mas se calhar nao ha nada para dizer).

Venice architecture biennale is like nerds talking about sex.
Kieran Long
This year's Venice architecture biennale has been hijacked by awkward ambassadors of the parametric mafia and the elite of the avant-garde...

LINK

via:Andreas Ruby

16.9.08

ATP, UEFA, FIFA, BAUNETZ

Descobri que afinal o campeonato onde jogamos também tem um ranking muito parecido com o ranking ATP, ou mesmo o da UEFA ou da FIFA.
A Baunetz (portal de arquitectura alemã) mantém um ranking de escritórios de arquitectura classificados através de um critério de pontos consoante o numero de vezes que são publicados nas "revistas da especialidade".
O site alemão considera publicações como a Bauwelt, Architectural Review, Detail, A+U, Architektur Aktuell, Domus, L'architecture d'Aujourd'hui, Werk Bauen und Wohnen , entre outras) como referência para montar o ranking, e criou uma tabela de pontos consoante o destaque da noticia, o numero de ilustracoes e o numero de páginas dedicadas ao projecto ou à empresa.
Os representantes helvéticos são 18 no top1oo internacional encabeçado (obviamente) pelos H&dM no 2ºlugar. Siza ocupa o 11º lugar com 113 pontos a 17 pontos do 10ºlugar do japonês Toyo Ito. (Escrito desta forma poderiamos estar a falar de um qualquer outro "desporto".)

O des-conexo publica o top do ranking Baunetz que nao seria muito dificil de adivinhar:

1. OMA (Rem Koolhas), Rotterdam
2. Herzog & de Meuron, Bâle
3. Steven Holl Architects, New York
4. Zaha Hadid, Londres
5. Sanaa Architects (Kazuyo Sejima et Ryue Nishizawa), Tokyo.
7. Jean Nouvel, Paris
8. David Chiperfield Architects, Londres
9.Foster & Partners, Londres
10.MVRDV, Rotterdão.

Este ranking assenta numa peneira de diferentes perspectivas editoriais que adicionadas estratifica os "melhores" dos "menos bons", ou pelo menos, os mais mediáticos dos anónimos. Nao podendo com isto dizer que os "melhores" fazem "melhor" arquitectura, o gradiente classificativo transmite uma ideia de sucesso e visibilidade das respectivas empresas. (o meu prognóstico para o próximo ano é que teremos os SANAA no 3º lugar ou mesmo no 2º posto!)