o desconexo

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24.5.12

frases descuidadas

Layout para restaurante McDonalds Drive In para Inglaterra e Europa, Gilad Kahana

Dizer "E a faculdade era o que eu chamava um MacJob. Ou seja, era o emprego que me permitia fazer outras coisas à volta, mais criativas, mais libertas da restrição económica que leva a que as pessoas desistam de fazer coisas interessantes" na página 30 do suplemento do Publico do dia 15 de Abril de 2012 na entrevista a Pedro Gadanho.

13.1.12

ele disse curating is the new criticism

Há um ano atrás escrevi umas linhas aqui no blog que começavam por 'candeia que vai à frente'... Essa candeia era Pedro Gadanho.
P. Gadanho é arquitecto e é também uma data de outras coisas excitantes da mesma família.
Não o conheço mas faz parte de uma lista de pessoas com quero tomar um café nesta vida. 'Olá' foi a única palavra que trocámos num contexto circunstancial, um lançamento de um número da revista NU no Porto e isto há alguns anos.
Leio com atenção o que escreve P. Gadanho que recentemente foi escolhido para ser o 'special one' do MOMA. Notícia de jornal, de telejornal, de sítio de internet e até de twitter.
Muito além do 'scoop' do museu de letras gordas, anseia-se para ver o que a assertividade de Pedro Gadanho vai fazer num "place that fuels creativity, ignites minds, and provides inspiration" e não o contrário. Best wishes!

22.2.11

prognóstico


Uns passos mais adiante.
Talvez por equívoco, mais do que por negligência, esta imagem não figurou num post anterior.

17.1.11

candeia que vai à frente


Os últimos tempos foram preenchidos de referências aos mais variados tipos de expressão (escrita) sobre arquitectura. Liste-se: a Log da Cinthia Davidson na crista da onda com 'Curating architecture'; a ficção de Pedro Gadanho como construção crítica de Once upon a place; a reflexão do mesmo autor em 'Del curare architettura come pratica critica'; o debate académico-profano da invasão-crítica blogger em Critical Futures em Londres (com mais dois debates num futuro próximo); o português JA 239 com Ser crítico (jornal que já tinha feito um exclusivo no numero 211); e também, no âmbito das questões regionais, o Do sabor da crítica no blog d'as Catedrais. Ou ainda, na vizinhança, o 'À quoi pense l'arte contemporain?' da Critique e o Text zur kunst 74 com 'Statements on contemporary art'.

No cimo da pilha de eventos estou a digerir a publicação da Anyone Corporation e a pequena entrevista de Pedro Gadanho ao blog da BIArch que sumariza a tendência: 'curating is the new criticism'. A nova tendência, diz Gadanho, é o exercício curatorial como prática.
A percepção do mundo da arquitectura vai privilegiar-se através da exposição, da disposição das peças, dos textos, das imagens, e principalmente, do juízo. Afinal, poder-se-ia dizer que o exercício de crítica de arquitectura através do gesto curatorial tratará essa problemática. No lugar do texto escrito, o crítico vai expor o seu juizo.

Talvez com largos anos de atraso em relação às correntes artisticas onde o próprio artista experimenta o comissariado há muito tempo, não se descobriu a pólvora, mas esta é uma tendência que se vê iluminada pelos holofotes dos últimos momentos. O comissariado como crítica e como forma de produção arquitectónica é emocionante e suficientemente interessante para assumir o monopólio das próximas reflexões. Não só tem q.b. de dramatismo, como também levanta uma série de questões...

Será, ou não, ambíguo afirmar que o projecto de arquitectura tem uma condição, à partida, importável? Será que a arquitectura, enquanto projecto e objecto exposto, expõe-nos à impossibilidade da sua exposição? Será que à semelhança do vídeo de uma performance artística, o visitante dificilmente presenciará a totalidade do projecto porque a ideia de expor arquitectura, na sua condição absoluta, roça a impossibilidade?

Será o caminho do exercício curatorial mais operativo do que os mecanismos vulgares do discurso escrito? Irá o contéudo crítico sair ainda mais encriptado em relação à prática do texto? Poderá a vontade crítica ser mais operativa? O que vão fazer os Olbrists e os Szeemans da arquitectura? Como é que os comissariados poderão fixar 'a new agenda'? Como é que a capacidade criativa da crítica vai usar as potencialidades das ferramentas curatoriais? Será possível mapear os inputs da prática curatorial na produção de projecto num determinado contexto? Vamos falhar redondamente as possibilidades críticas de um projecto curatorial? Ou pode a afirmação de Gadanho ter uma efectivação concreta?

Se calhar pode... to find out how.

20.10.10

côngruo

L'univers démasqué (1932), R.Magritte

Da ordem do pequeno contributo, não em relação ao longo texto d'As catedrais, mas em jeito de alusão ao último parágrafo desse mesmo raciocínio.

10.9.10

patio & pavilion

Cruzei-me há pouco tempo com uma imagem da Casa Latapie dos Lacaton & Vassal. A propósito dessa casa aproveito para postar um texto escrito como interlúdio em 2007 e que compôs a página 52 e 53 da minha investigação final de licenciatura.
Ainda que se tratem de problemáticas diferentes (ou nem tanto), ao rever estas imagens fiquei também a pensar no premiado pavilhão do Bahrain na edição deste ano da Bienal de Veneza...

"Na Whitechapel Art Gallery, a 9 de Agosto de 1956, foi inaugurada a exposição «This is tomorrow». Comissariada por Theo Crosby, a exposição reunia 12 montagens sobre as futuras formas de habitação. Alison e Peter Smithson com Edoard Paolozzi e Nigel Henderson, formaram um dos doze grupos – compostos por um pintor, um escultor e um arquitecto – convidados para intervir. A exposição quis incorporar arquitectura, pintura e escultura num amplo campo imagético.

A proposta «Pátio and Pavilion» (1) dos Smithsons, Paolozzi e Henderson consistiu um “habitat” simbólico no qual eram representadas as necessidades humanas: «Pátio and pavilion represent the fundamental necessities of the human habitat in a series of symbols. The first necessity is for a piece of the world – the patio – the second necessity is for an enclosed space – the pavilion – these spaces are furnished with symbols for all human needs» (2). Durante o processo de trabalho do grupo, os arquitectos projectaram a estrutura – o pátio e o pavilhão – os artistas reuniram os diferentes objectos (3).

O pátio, de planta rectangular e coberto com areia, era delimitado por uma cerca de painéis de madeira revestidos por uma superfície de alumínio reflector. O pavilhão era uma cabana com um espaço interior único de planta rectangular e composta por elementos madeira (muitos deles reciclados, em segunda-mão). A cobertura inclinada eram placas onduladas de plástico transparente.

Com as devidas precauções, a apetecida analogia entre o «Pátio and Pavilion» dos Smithsons e a casa Latapie dos Lacaton & Vassal é estimulante. Mais do que as similitudes formais entre a casa Latapie e o pavilhão, existe a ideia na qual «o trabalho do arquitecto providencia o contexto no qual o indivíduo se realiza» (4) através da apropriação e da disposição dos seus “objectos” no espaço.

O pátio de areia (talvez de um deserto) simboliza o espaço de extensão e movimentação da vida “nómada” que se desenrola no interior do pavilhão. O pátio é o lugar para o espectro das actividades humanas simbolizadas por diversos objectos nele espalhados. A cobertura transparente é o pedaço de céu, o clima exterior que se sente no interior através da solução das placas onduladas. A arquitectura do pavilhão, como na casa Latapie, é o cenário para a ocupação, é um habitat, e para os Smithsons «it was more a statement about occupancy and territory than a programme announcing a particular style or approach» (5).

(1) Sobre o «Pátio and Pavilion» ver Smithson, Alison e Peter - The Charged Void: Architecture. Nova Iorque: The Monacelli Press, 2001; Puente, Moisés - 100 anos: Pabellones de Exposición. Barcelona: Gustavo Gili, 2000 (2) Texto de Alison e Peter Smithson no desenho de projecto para «Pátio and Pavilion». (3) Cf. Vidotto, Marco (1997) - Alison+Peter Smithson. Barcelona: Gustavo Gili, 2004, pp.86-91 (4) Ibid. (5) Alison e Peter Smithson apud. Vidotto, Marco, op. cit.

12.6.10

outras abordagens oblíquas

Rosa Barba, "The long road" (2010)

Recentemente falou-se de crítica de arquitectura no blog d'As Catedrais a propósito de blogs e a propósito do exercício de Inês Moreira.
O rewind de Pedro Costa originou um reboliço de comentários que terminou com contornos de telenovela deixando esquecido aquilo que se poderia ter discutido: a afirmação sobre a pretensa inexistência de uma crítica (de arquitectura).(1)
De forma sumária Pedro Costa constata que a eventual ausência de crítica poderá dever-se à falta de disponibilidade dos autores para "abrirem" a sua caixa de pandora aos analistas. Depois desenvolve um raciocínio bipartido, por um lado, a falta de disponibilidade dos autores conduz a crítica à inutilidade, por outro, os autores vêem a crítica como irrelevante ou maldizente.
Se o texto apresenta um começo contornado pela dúvida, Pedro Costa termina em tom de encorajamento a favor da resiliência de expressões (neste caso blogs) que persistem e que poderão tornar a crítica consequente.
Porquê o encorajamento se se especula sobre um estado de inutilidade irreparável?
A conclusão parece chocar o com o que anteriormente se tinha dito não fosse um comentário posterior de Pedro Costa onde ele reafirma a condição indesejável da crítica mas assume também que ela pode ter um impacto, ainda que relativo, porque "a sua consequência é reduzida no contexto de quem a produz".

O desconexo retoma as questões para acrescentar dados.
Recentemente Kenneth Frampton reconheceu um certo "apagamento progressivo da crítica" na sociedade em geral, sem se debruçar em particular sobre o campo da arquitectura, o que o levou a afirmar que essa "irrelevância" se tinha tornado fonte de discussão nos meios. Desta situação, e segundo Frampton, surgiram (e surgem) vozes reclamadoras de uma nova atitude "post-crítica"...
Mais não se sabe sobre a "nova atitude" que Frampton identifica porque não se evidenciam exemplos que clarifiquem a etiquetagem. O leitor desarmado fica a mãos com a dificuldade em deslindar o que que quer ele dizer com isto... onde é que ele quer chegar...
Quer-se crer que Frampton se possa estar a referir a novas formas de crítica que pela sua configuração surgem algo nubladas, sem facilitar um reconhecimento claro da sua função.

A este propósito, retomo a cartografia de Inês Moreira como um possível exemplo.
Quer-se dizer que, longe do formato tradicional, a análise montada por Inês Moreira é uma diligência crítica de fundo por simplesmente ousar pegar na produção de uma geração, sem necessariamente fazer uso de cortes, plantas e alçados que excitam os olhos famintos dos leitores. Poucos estariam preparados para um trabalho que, pela sua composição alternativa, é inabitual no contexto das revistas generalistas sobre arquitectura (e talvez por isso desconfortável para os leitores desarmados). No remate, o exercício parece acima de tudo demonstrar que a prática exposta, adjectivada de espacial, se move num espaço trans-disciplinar e (ainda) de pouca visibilidade.

Um nota final para voltar ao princípio, à pretensa inexistência de crítica.
Presume-se que se assim for, escrever sobre a crítica, é duplamente perigoso. Primeiro porque se ela escasseia, é pouca a matéria de trabalho e assim mais subjectivas se apresentam as reflexões. Segundo, se ela não existe, tudo isto é ficção.
No fim, talvez Pedro Costa tenha razão, talvez a crítica seja inútil, mas não me parece que seja em si razão impeditiva de a continuar a fazer, seja pelo exercício que ela permite, seja pelos estímulos que ela produz.


(1) À margem dessa opinião clarifique-se que a análise existe sempre, mesmo que seja sob a forma de 'memória descritiva' do próprio autor, que é em si uma leitura (crítica "viciada") do projecto.
O que poderá eventualmente não existir, ou pouco existir, é a crítica problemática, a crítica comprometida, a crítica que excita pela fina e criteriosa dissecação do objecto de uma maneira que a fotografia nunca consegue mostrar.

2.2.09

da conjuntura

Não resisto a transcrever uma pequena passagem do livro que ando a folhear

«E a quem vou vender agora as minhas louças, perguntou o oleiro sucumbido, O problema é seu, não meu, Estou autorizado, ao menos, a negociar com os comerciantes da cidade, O nosso contrato está cancelado, pode fazer negócios com quem quiser, Se valer a pena, Sim, se valer a pena, a crise lá fora é grave, além disso, o chefe do departamento calou-se, pegou nos desenhos e juntou-os, depois foi-os passando devagar, um por um, olhava-os com uma atenção que parecia ser sincera, como se estivesse a vê-los pela primeira vez.»

na página 96 da 3ª edição de A Caverna, J.Saramago, caminho

25.11.08

architecture is a fragile enterprise



O Modern Architecture - A critical history de 1980 foi re-editado, revisto e ampliado o ano passado. Quem comprar a quarta edição tem um novo capítulo para ler!

Kenneth Frampton deu uma entrevista à Werk Bauen+Wohnen (uma das melhores revistas helvéticas de arquitectura) que vale a pena ler... e ler várias vezes.
Se há uns post atrás eu e os comentadores de serviço do des-conexo nos manifestávamos em prol dos possíveis efeitos benéficos da crise, o Frampton fala disso mesmo... ou melhor, fala da necessidade de uma arquitectura de princípios. Volta a bater na tecla do estrelado, da ideia de marca, e de como este marketing estilístico à escala global é um castrador criativo das grandes fábricas de arquitectura. Fala da ideia de valores para contrapor ao "vale tudo", actualiza o regionalismo crítico e a tectónica, e ainda cita Siza...

"The received idea that there are no principles in architecture today and that anything goes is pernicious.
"The Olympic Stadium in Beijing, designed by Herzog and de Meuron, demonstrates the paradox of the spectacular in architecture. From a technical standpoint this is an exceptionally regressive and unethical structure. The colossal amount of steel used or rather misused, exemplifies what Tomas Maldonado once called the “ideology of waste,” as opposed to waste that unavoidably occurs when something is fabricated.
"I believe there is no significant innovation without tradition and that there is no living tradition without innovation. The fact that these two processes are ultimately inseparable totally repudiates the vain neo-avant-gardist notion that the architecture could or should be an open-ended value free experiment.

"
I think that the task of a critic is to call attention to such work, to the work of so-called unknown architects, and in so doing help to establish them as points of reference in a more general discourse regarding what architecture is and what it could possibly be in the future.

"
In my experience such lesser-known work is often superior to the work of the star architects. Perhaps this is a result of the very circumstances of success, the fact that a star or brand architect often has too much work and the fact that famous architects are often commissioned by clients because of a particular image for which they are famous; the client wants just that image and nothing else, nothing more.

Para ler e reler a entrevista de Petra Ceferin a Kenneth Frampton na íntegra basta carregar aqui.

25.9.08

bienal, sexo e recessao

Kieran Long visitou a bienal, escreveu sobre o que viu e viu que a "arquitectura" bateu no fundo.
A crítica afiada de Long toca nos lobbys, nos "arquitectos quase-artistas", e desmonta com humor as obras/instalaçoes/performances (ou como lhe queiram chamar) em exposiçao.
Com algumas excepçoes, o cepticismo de K.Long alerta-nos para o vazio e para a recessao em que mergulhou a "Elite of the Architectural Avant-Garde". (No seu texto nao fala do pavilhao portugues, mas se calhar nao ha nada para dizer).

Venice architecture biennale is like nerds talking about sex.
Kieran Long
This year's Venice architecture biennale has been hijacked by awkward ambassadors of the parametric mafia and the elite of the avant-garde...

LINK

via:Andreas Ruby

6.5.07

The Pervert's Guide to Cinema

Cinema is the ultimate pervert art. It doesn't give you what you desire - it tells you how to desire' - Slavoj Zizek


Realizado por Sophie Fiennes e apresentado por Slavoj Zizek.
Mais sobre este documentário aqui.

via: Quick Study

26.4.07

Reyner Banham loves Los Angeles

Reyner Banham (1922-1988) publicou Los Angeles: The Architecture of the Four Ecologies, em 1971. Em 1972 fez este documentário da BBC.
Starring Reyner Banham...