A Joelho, a revista de cultura arquitectónica do departamento de Arquitectura da UC, publicou um artigo onde falo de uma experiência de ensino de projeto. Chama-se "Topofilia". O texto não é mais do que uma deambulação à volta dessa experiência e uma vontade de confronto com outras dimensões propícias ao diálogo. No mesmo número da Joelho encontram as outras participações no colóquio "Ensinar pelo Projeto". Para abrir o apetite aqui fica o 'teaser':
o desconexo
9.11.13
topofilia (eventually everything connects)
A Joelho, a revista de cultura arquitectónica do departamento de Arquitectura da UC, publicou um artigo onde falo de uma experiência de ensino de projeto. Chama-se "Topofilia". O texto não é mais do que uma deambulação à volta dessa experiência e uma vontade de confronto com outras dimensões propícias ao diálogo. No mesmo número da Joelho encontram as outras participações no colóquio "Ensinar pelo Projeto". Para abrir o apetite aqui fica o 'teaser':
24.10.11
31.5.11
notas para uma novela autobiográfica

« Forget everything you’ve learned »
« Nous voulons examiner, en effet, des images bien simples, les images de l’espace heureux. Nos enquêtes mériteraient, dans cette orientation, le nom de topophilie. Elles visent à déterminer la valeur humaine des espaces de possession, des espaces défendus contre des forces adverses, des espaces aimés. »
Gaston Bachelard, La poétique de l’espace (1957)
Dans son livre La poétique de l’espace, Gaston Bachelard introduit la problématique de l’image comme « un produit direct du cœur, de l’âme, de l’être de l’homme saisi dans son actualité. » En effet, Bachelard nous parle de l’image poétique qui « prend racine en nous-mêmes » et déclenche la réflexion.
Comment une image, parfois très singulière, peut-elle apparaître comme un générateur spatial ? Comment, à travers un exercice quasi cinématographique, pourrons-nous faire du projet ? Pourrons-nous construire de l’espace tout en partant d’une histoire, d’une narration ? Comment, à travers l’addition des espaces, pourrons-nous mieux comprendre les mécanismes de la densité ?
A priori sans contexte ou programme, l’exercice est parti de l’image, pas seulement comme outil de représentation, mais principalement comme instrument de recherche et moteur de projet. L’image toujours proche du sujet, du plus petit vers le plus grand.
A travers des opérations simples d’addition, collage, augmentation, superposition, transformation, remplacement, contamination, chaque image a gagné une nouvelle dimension. L’accumulation des images a conçu un espace, une ambiance, un parcours, une histoire.
Un travail patient de recherche et d’analyse de l’image, toujours balisé par la rigueur et la précision, a permis de la décrypter pour retirer l’essentiel. Ces images se sont transformées en catalyseurs de projet et des intentions architecturales.
Les valeurs particulières de chaque image ont trouvé un terrain commun dans l’idée de la domesticité des espaces, indépendamment de son programme, de sa taille, de sa forme. En effet, « tout espace vraiment habité porte l’essence de la notion de maison ».
Le propos a permis l’abandon des habitudes d’un certain savoir-faire pour faire basculer la façon de faire du projet d’architecture vers d’autres formes de conception et exploration de la vie quotidienne. Le travail avec l’image a généré une plus forte capacité d’abstraction ainsi qu’une proximité surprenante avec le sujet.
Ce processus s’est présenté, non pas comme une résistance aux connaissances acquises, mais comme une alternative, une forme innovante de production spatiale, qui pose des bases essentielles d'un projet.
A la fin, certaines images ne sont pas précises, (et elles ne l’ont pas à être) elles parlent d’un détail, d’une situation, d’une action, d’un sentiment. Elles sont subjectives et variables, comme un produit de l’imagination. Néanmoins, elles nous parlent de la densité, de la vie et de la ville, de l'espace individuel.
Elles expriment les qualités de l’espace qui se construit autour de chacun. Peu à peu, par l’addition des vides, un parcours se construit. Une histoire se raconte.
Lors que nous parcourons les projets présentés, nous allons aussi percevoir l’inconnu, les ‘blancs’ des espaces pas encore découverts, pas encore projetés, où le rêve prendra aussi sa place… « les rêveries d’habiter ces lieux inhabitables ».
(Terminou uma das experiências mais significativas do meu periodo helvético.)
7.2.11
Densité, proximité, plaisir

Na AMC de Fevereiro, Karine Dana fez o 'review' do que foi o primeiro semestre do atelier de projecto conduzido por Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal na EPFL onde estive como assistente.
20.9.10
Cotlenko de Jacques Hondelatte

"A remodelação do apartamento Cotlenko em Bordéus foi um projecto de Jacques Hondelatte, com a colaboração de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal.
Num lote estreito e profundo, o apartamento de três andares é trabalhado numa lógica mista de conservação e ampliação. O valor espacial reside na sucessão de divisões, na sequência dos espaços, que resulta numa «colagem que preserva a heterogeneidade, os confrontos, as tensões e interrogações» (1) entre o existente e a intervenção.
Cada espaço tem uma ambiente tão díspar quanto sedutor do espaço imediatamente a seguir. É a luz que se transforma, e o espaço que se transfigura com a unidade da intervenção a residir na diversidade das atmosferas. O interior convida à deambulação estimulante e à fruição dos câmbios interiores. O espaço torna-se «indefinido, enigmático mas que impõe a sua evidência, a sua poesia sem recursos metafóricos»(2).
Dois elementos, a caixa transparente do elevador e o paralelepípedo enviesado da caixa de escadas, autonomizam-se do conjunto. A sua expressão dinamiza o espaço interior.
No comando do elevador há três números, que correspondem aos três níveis do apartamento, mas os números omitem a verdade, contam outra história.
22, 45, 67 são os andares como se tratasse de uma torre, de um arranha-céus. O acto «insignificante» introduz o «maravilhoso» (3). No elevador do apartamento Cotlenko uma pequena modificação cria uma dimensão onírica, uma história que Jacques Hondelatte parece querer contar.
Tendo sido um projecto com a participação de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, o apartamento Cotlenko é, para lá das analogias possíveis, um marco importante onde é possível detectar duas ideias chave que se mantêm no trabalho da dupla francesa.
O valor da atmosfera como um conceito no trabalho dos Lacaton & Vassal: a multiplicidade de atmosferas no interior da habitação através da mutação do interior na sua expressão material, na percepção espacial do habitante, ou mesmo nos gradientes térmicos.
E o valor do onírico: uma história que se sugere, e que afasta o utilizador do edifício através de um artifício que retira à arquitectura o papel principal. Desde os bambus e as buganvílias de Grenoble à estátua para a sede da Architecture Foundation.

(1) Arnaudet, Didier - «Appartement Cotlenko». In Goulet, Patrice - Jacques Hondelatte: Des gratte-ciel dans la tête. Paris: Édition Norma, 2000. p.99 (2) Idem. (3) Goulet, Patrice - 'Portrait d'un enchanteur...'. Goulet, Patrice - Jacquest Jondelatte: Des gratte-ciel dans la tête. op. cit.
10.9.10
patio & pavilion

"Na Whitechapel Art Gallery, a 9 de Agosto de 1956, foi inaugurada a exposição «This is tomorrow». Comissariada por Theo Crosby, a exposição reunia 12 montagens sobre as futuras formas de habitação. Alison e Peter Smithson com Edoard Paolozzi e Nigel Henderson, formaram um dos doze grupos – compostos por um pintor, um escultor e um arquitecto – convidados para intervir. A exposição quis incorporar arquitectura, pintura e escultura num amplo campo imagético.
A proposta «Pátio and Pavilion» (1) dos Smithsons, Paolozzi e Henderson consistiu um “habitat” simbólico no qual eram representadas as necessidades humanas: «Pátio and pavilion represent the fundamental necessities of the human habitat in a series of symbols. The first necessity is for a piece of the world – the patio – the second necessity is for an enclosed space – the pavilion – these spaces are furnished with symbols for all human needs» (2). Durante o processo de trabalho do grupo, os arquitectos projectaram a estrutura – o pátio e o pavilhão – os artistas reuniram os diferentes objectos (3).
O pátio, de planta rectangular e coberto com areia, era delimitado por uma cerca de painéis de madeira revestidos por uma superfície de alumínio reflector. O pavilhão era uma cabana com um espaço interior único de planta rectangular e composta por elementos madeira (muitos deles reciclados, em segunda-mão). A cobertura inclinada eram placas onduladas de plástico transparente.
Com as devidas precauções, a apetecida analogia entre o «Pátio and Pavilion» dos Smithsons e a casa Latapie dos Lacaton & Vassal é estimulante. Mais do que as similitudes formais entre a casa Latapie e o pavilhão, existe a ideia na qual «o trabalho do arquitecto providencia o contexto no qual o indivíduo se realiza» (4) através da apropriação e da disposição dos seus “objectos” no espaço.
O pátio de areia (talvez de um deserto) simboliza o espaço de extensão e movimentação da vida “nómada” que se desenrola no interior do pavilhão. O pátio é o lugar para o espectro das actividades humanas simbolizadas por diversos objectos nele espalhados. A cobertura transparente é o pedaço de céu, o clima exterior que se sente no interior através da solução das placas onduladas. A arquitectura do pavilhão, como na casa Latapie, é o cenário para a ocupação, é um habitat, e para os Smithsons «it was more a statement about occupancy and territory than a programme announcing a particular style or approach» (5).
(1) Sobre o «Pátio and Pavilion» ver Smithson, Alison e Peter - The Charged Void: Architecture. Nova Iorque: The Monacelli Press, 2001; Puente, Moisés - 100 anos: Pabellones de Exposición. Barcelona: Gustavo Gili, 2000 (2) Texto de Alison e Peter Smithson no desenho de projecto para «Pátio and Pavilion». (3) Cf. Vidotto, Marco (1997) - Alison+Peter Smithson. Barcelona: Gustavo Gili, 2004, pp.86-91 (4) Ibid. (5) Alison e Peter Smithson apud. Vidotto, Marco, op. cit.
8.9.10
14.2.10
erros e estratégias

3.5.09
peregrinações
Tenho estado em mudanças. Não de casa, mas de pc. Se fosse uma mudança de casa seria tudo mais fácil porque antes da mudança era preciso ordenar, catalogar, encaixotar, desencaixotar e tornar a arrumar. Sendo uma mudança de alguns gigas, megas, e bytes, tento arrumar um pouco os cantos da casa e não deslocar simplesmente a pesada herança de pastas e ficheiros quase-caoticamente organizados através de dois ou três cliques de rato.



6.7.08
Nouvelles...
Já se conhece o interesse teórico do des-conexo pelos L&V, e eis que a dupla volta aos posts do des-conexo porque Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal foram os vencedores do Grand Prix National d'Architecture 2008.Atribuído de 2 em 2 anos pelo estado françês, o Grand Prix é a mais alta distinção francesa para área da arquitectura, que destacou a dupla pelo conjunto e singularidade da sua obra.
A concorrer pela pole-position estiveram ainda Patrick Bouchain, Jacques Ferrier, Marie-Hélène Jourda.
Aqui um pequeno vídeo do formal discurso da dupla L&V na hora de aceitar o prémio.
Para além dos 10 mil euros, os L&V terão uma exposição monográfica na cité de l'architecture, e vão passar por aqui em próximos posts.
4.6.08
Lacaton & Vassal online

Uma das duplas mais interessantes no panorama da arquitectura europeia já está online. Refiro-me a Anne Lacaton e Jean Phillipe Vassal. Desde a cabana em Niamey à intervençao na torre Bois-Le-Prêtre, passando pelo concurso para a Architectural Foundation e pelo Palais de Tokyo, o site lacatonvassal.com disponibiliza informaçoes muito completas sobre cada projecto assim como abundância de imagens e ilustraçoes.
(se o site tivesse sido lançado mais cedo, tinha poupado algumas horitas de trabalho para o Pousser plus loin :/ )








