A Joelho, a revista de cultura arquitectónica do departamento de Arquitectura da UC, publicou um artigo onde falo de uma experiência de ensino de projeto. Chama-se "Topofilia". O texto não é mais do que uma deambulação à volta dessa experiência e uma vontade de confronto com outras dimensões propícias ao diálogo. No mesmo número da Joelho encontram as outras participações no colóquio "Ensinar pelo Projeto". Para abrir o apetite aqui fica o 'teaser':
o desconexo
9.11.13
topofilia (eventually everything connects)
A Joelho, a revista de cultura arquitectónica do departamento de Arquitectura da UC, publicou um artigo onde falo de uma experiência de ensino de projeto. Chama-se "Topofilia". O texto não é mais do que uma deambulação à volta dessa experiência e uma vontade de confronto com outras dimensões propícias ao diálogo. No mesmo número da Joelho encontram as outras participações no colóquio "Ensinar pelo Projeto". Para abrir o apetite aqui fica o 'teaser':
31.10.13
radical colomina
Ontem, Beatriz Colomina, um nome de peso da investigação em arquitectura ocidental, apresentou uma dissertação sobre pedagogias radicais no ensino da disciplina a um auditório meio vazio. Entre os mornos aplausos que selaram o fim da conferência, Colomina parecia feliz e eu desapontado.
Como bon élève costumo seguir a Colomina na www, por isso, em espírito de concerto-ao-vivo esperava ouvir pelo menos alguns b-sides. No palco, quem tanto escreveu sobre o assunto, esqueceu-se que a arquitectura também é um tema pilhado pelo excesso de informação em linha, e a palestra soou por momentos a playback.
"Towards a Radical Pedagogy" foi a proposta da conferência e é o nome do mais 'recente' projeto do Program for Media+Modernity que Colomina dirige em Princeton e que veio apresentar. Em palavras suas: é uma investigação "on going and multiyear".
Colomina, num golpe de marketing e boa fé, começou com uma boa meia hora do seu trabalho passado, em formato best of, desde o Clip/Stamp/Fold e as Little Magazines, Cold war Hot Houses, Learning from Levittown, até ao glamoroso Architecture in Playboy. Tudo isto a uma velocidade de um slide e meio por segundo, pontuado por dezenas de fotografias documentais dos produtos de cada um dos projectos. A par do notável e fatigante dinamismo, Colomina esforçava-se em sublinhar a ideia de colaboração a favor da tríade Investigar-Produzir-Expor. Sem nunca se socorrer de vocábulos do universo da curadoria, fez desfilar muitas fotografias das suas exposições em outros tantos lugares, sempre com personagens de peso da sua entourage, da história recente da arquitectura. Falava do 'como' - como montámos a exposição, o que fizemos na exposição, o que publicámos depois da exposição - atropelando muitas vezes o 'porquê'. Se por esta altura fervilhava no auditório a inquietação dos que queriam ouvir falar de "Radical Pedagogy", Colomina insistia que só é possível comunicar produzindo objectos de comunicação: "learn from communication with communication".
De regresso ao slide de abertura, restringindo a escolha aos anos 60 e 70, Colomina nomeou os casos de estudo, sendo que cada um deles foi cuidadosamente dissecado por investigadores do seu programa. Contavam-se vinte e oito case-studies: dezoito nas Américas (a maioria no sul), nove indicados na Europa e um na Ásia (mas com os dedos londrinos dos Smithsons). Para Colomina, a chave para identificar estas pedagogias radicais passou (e passa) por reconhecer que são um tipo de produção de arquitectura "in their own right", ou seja, foram encaradas como novas formas de expressão, que na altura, surgiram acompanhadas por novos modelos de comunicação e em evidente embate com as instituições onde se geraram. Quando Colomina começou a concretizar a forma como o seu grupo de trabalho começou a 'arrumar' o multiformalismo destas experiências, esgotou-se o tempo de antena e morreu na praia o que devia ter sido o centro da palestra. Comum aos case-studies de Radical Pedagogy esteve a vontade de desafiar um pensamento normativo(1) e - como sublinhou Colomina - o que naquele período era avant-garde, ou se dissolveu no ar, ou foi assimilado pelo main-stream, porque "one cannot be radical forever" (+).
(1) Sem que tenha abordado a questão, suspeito que há uma indício a considerar entre a implementação de programas de PhD e o atenuar das so-called pedagogias radicais.
Da coincidência ou da sincronização dos tempos, o dArq publica amanha a Joelho #4, uma versão-papel do seminário "Ensinar pelo projeto/Teaching Through Design" onde pude falar das aventuras do atelier de projeto Lacaton&Vassal na EPFL.
24.10.11
31.5.11
notas para uma novela autobiográfica

« Forget everything you’ve learned »
« Nous voulons examiner, en effet, des images bien simples, les images de l’espace heureux. Nos enquêtes mériteraient, dans cette orientation, le nom de topophilie. Elles visent à déterminer la valeur humaine des espaces de possession, des espaces défendus contre des forces adverses, des espaces aimés. »
Gaston Bachelard, La poétique de l’espace (1957)
Dans son livre La poétique de l’espace, Gaston Bachelard introduit la problématique de l’image comme « un produit direct du cœur, de l’âme, de l’être de l’homme saisi dans son actualité. » En effet, Bachelard nous parle de l’image poétique qui « prend racine en nous-mêmes » et déclenche la réflexion.
Comment une image, parfois très singulière, peut-elle apparaître comme un générateur spatial ? Comment, à travers un exercice quasi cinématographique, pourrons-nous faire du projet ? Pourrons-nous construire de l’espace tout en partant d’une histoire, d’une narration ? Comment, à travers l’addition des espaces, pourrons-nous mieux comprendre les mécanismes de la densité ?
A priori sans contexte ou programme, l’exercice est parti de l’image, pas seulement comme outil de représentation, mais principalement comme instrument de recherche et moteur de projet. L’image toujours proche du sujet, du plus petit vers le plus grand.
A travers des opérations simples d’addition, collage, augmentation, superposition, transformation, remplacement, contamination, chaque image a gagné une nouvelle dimension. L’accumulation des images a conçu un espace, une ambiance, un parcours, une histoire.
Un travail patient de recherche et d’analyse de l’image, toujours balisé par la rigueur et la précision, a permis de la décrypter pour retirer l’essentiel. Ces images se sont transformées en catalyseurs de projet et des intentions architecturales.
Les valeurs particulières de chaque image ont trouvé un terrain commun dans l’idée de la domesticité des espaces, indépendamment de son programme, de sa taille, de sa forme. En effet, « tout espace vraiment habité porte l’essence de la notion de maison ».
Le propos a permis l’abandon des habitudes d’un certain savoir-faire pour faire basculer la façon de faire du projet d’architecture vers d’autres formes de conception et exploration de la vie quotidienne. Le travail avec l’image a généré une plus forte capacité d’abstraction ainsi qu’une proximité surprenante avec le sujet.
Ce processus s’est présenté, non pas comme une résistance aux connaissances acquises, mais comme une alternative, une forme innovante de production spatiale, qui pose des bases essentielles d'un projet.
A la fin, certaines images ne sont pas précises, (et elles ne l’ont pas à être) elles parlent d’un détail, d’une situation, d’une action, d’un sentiment. Elles sont subjectives et variables, comme un produit de l’imagination. Néanmoins, elles nous parlent de la densité, de la vie et de la ville, de l'espace individuel.
Elles expriment les qualités de l’espace qui se construit autour de chacun. Peu à peu, par l’addition des vides, un parcours se construit. Une histoire se raconte.
Lors que nous parcourons les projets présentés, nous allons aussi percevoir l’inconnu, les ‘blancs’ des espaces pas encore découverts, pas encore projetés, où le rêve prendra aussi sa place… « les rêveries d’habiter ces lieux inhabitables ».
(Terminou uma das experiências mais significativas do meu periodo helvético.)
7.2.11
Densité, proximité, plaisir

Na AMC de Fevereiro, Karine Dana fez o 'review' do que foi o primeiro semestre do atelier de projecto conduzido por Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal na EPFL onde estive como assistente.
31.5.10
escala, matéria e um raciocínio nublado




25.3.09
revista de imprensa - matières





Esta é a Matières, uma (boa) publicação académica de crítica de arquitectura com cara de publicação académica.
A revista Matières é um produto do Laboratório de Teoria e História (da arquitectura) da E.P.F. Lausanne e tem como principal objectivo dar visibilidade às pesquisas conduzidas no laboratório. Cada número anual debruça-se sobre um tema específico em torno do qual gravitam os vários ensaios dos membros do LTH, e também contribuições de convidados externos. O tema serve (por vezes) de base para o plano de estudos semestral da disciplina de Critique architectural (uma disciplina de investigação sobre casos-estudo e que oportunamente frequentei durante o ano erasmiano).
Para contextualizar esta "partilha", é relevante dizer que dois dos nomes fortes do laboratório, Bruno Marchand e Jacques Lucan, são também os titulares da cadeira e que os centros de interesse temáticos entre o laboratório, a publicação e a disciplina de crítica em tudo beneficiam a formação teórica que a escola oferece. Não se trata da prevalência da "teoria" sobre a "prática" de projecto (e a este propósito lembro-me das guerrinhas que existiam no dArq) mas a importância de ensinar os alunos a pensar. E a disciplina de Crítica fazia (e faz) fundamentalmente isso: ensina a pensar.
Para os interessados: foi recentemente editado o número 9 da Matières com dois artigos que se debruçam sobre dois arquitectos portugueses: Siza e Pancho Guedes.
A Matières 9 trata o "Espaço arquitectónico" através dos seguintes ensaios:
Hypothèse pour une spacialité texturée, Jacques Lucan; Complexités et dynamiques espaciales, Bruno Marchand (notas sobre a dimensão artística da arquitectura dos anos 70 de Alvaro Siza); La maison de campagne en brique de Mies Van der Rohe, Roberto Gargiani; La fiction de l'espace temps, Grégory Azar; De la perception de l'espace, Martin Steinman; La réception critique de Learning from Las Vegas dans le contexte suisse des annés 70, Frédérik Frank; Pancho Guedes, figure exotique de l'apres guerre, Cornellia Tapparelli; Destruition de l'architecture: Archizoom 1966-1974, Beatrice Lampariello.
Dois dos números anteriores da Matières são disponibilizados gratuitamente em pdf porque esgotaram na sua edição papel. Aqui estão os links e as temáticas das anteriores:
Matières nº1 - Motions, émotions PDF
Matières nº2 - Paysage architectural
Matières nº3 - Regard... PDF
Matières nº4 - Banal/monumental
Matières nº5 - Modularité/proportionnalité
Matières nº6 - Actualité de la critique
Matières nº7 - Cohérences aventureuses, nouvelles approches réalistes
Matières nº8 - Croissance
Boas leituras!
19.9.08
Carapaça espiritual - Capela temporaria de St. Loup
No ano passado os Local Architecture (CH) em associação com Danilo Mondada (CH) ganharam o concurso de recuperação do convento de St.Loup, Pompaples.
Para permitir o inicio dos trabalhos no convento, a dupla teve também de projectar um local de oração temporário para o culto das freiras durante os 18 meses de duração das obras de restauro.
A proposta para a capela temporária consistiu num protótipo inovador de uma estrutura de madeira baseada nas técnicas de dobragem de papel origami.
O desenvolvimento da solução foi desenvolvida em colaboração com o IBOIS (Laboratório de construção em madeira) da EPFL dirigido por Yves Weinand. Esta oportunidade permitiu ao laboratório o desenvolvimento de um protótipo de estudo e ao mesmo tempo solucionar a necessidade das freiras de St.Loup.
A capela é formada por uma nave única, como um prisma de secções trapezoidais com uma progressão de diferentes tamanhos (o valor da largura diminui, o valor da altura aumenta). Esta nave é coberta por uma estrutura dobrada de painéis de madeira maciços. Os topos translúcidos são revestidos a policarbonato alveolar aplicados numa sub-estrutura de madeira a fazer lembrar uma composição de vitrais.
Não cito aqui a justificação de implantação da capela dos autores porque a autonomia e força formal do objecto deu-lhes liberdade de manobra q.b. considerando a parcela (quase vazia) disponível.
A força expressiva do projecto está indubitavelmente ligada à carapaça modelada da capela conseguida através dos recursos informáticos do IBOIS que casou a exigência reduzida do programa com as questões estruturais, um bom comportamento térmico e o desejo de forma dos arquitectos.
Ficam as imagens e links:
Local Architecture (CH) / Danilo Mondada (CH) / IBOIS.EPFL
photo via: local architecture
photo via: local architecture





