o desconexo
21.12.13
um contributo
20.10.10
côngruo

20.9.10
Cotlenko de Jacques Hondelatte

"A remodelação do apartamento Cotlenko em Bordéus foi um projecto de Jacques Hondelatte, com a colaboração de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal.
Num lote estreito e profundo, o apartamento de três andares é trabalhado numa lógica mista de conservação e ampliação. O valor espacial reside na sucessão de divisões, na sequência dos espaços, que resulta numa «colagem que preserva a heterogeneidade, os confrontos, as tensões e interrogações» (1) entre o existente e a intervenção.
Cada espaço tem uma ambiente tão díspar quanto sedutor do espaço imediatamente a seguir. É a luz que se transforma, e o espaço que se transfigura com a unidade da intervenção a residir na diversidade das atmosferas. O interior convida à deambulação estimulante e à fruição dos câmbios interiores. O espaço torna-se «indefinido, enigmático mas que impõe a sua evidência, a sua poesia sem recursos metafóricos»(2).
Dois elementos, a caixa transparente do elevador e o paralelepípedo enviesado da caixa de escadas, autonomizam-se do conjunto. A sua expressão dinamiza o espaço interior.
No comando do elevador há três números, que correspondem aos três níveis do apartamento, mas os números omitem a verdade, contam outra história.
22, 45, 67 são os andares como se tratasse de uma torre, de um arranha-céus. O acto «insignificante» introduz o «maravilhoso» (3). No elevador do apartamento Cotlenko uma pequena modificação cria uma dimensão onírica, uma história que Jacques Hondelatte parece querer contar.
Tendo sido um projecto com a participação de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, o apartamento Cotlenko é, para lá das analogias possíveis, um marco importante onde é possível detectar duas ideias chave que se mantêm no trabalho da dupla francesa.
O valor da atmosfera como um conceito no trabalho dos Lacaton & Vassal: a multiplicidade de atmosferas no interior da habitação através da mutação do interior na sua expressão material, na percepção espacial do habitante, ou mesmo nos gradientes térmicos.
E o valor do onírico: uma história que se sugere, e que afasta o utilizador do edifício através de um artifício que retira à arquitectura o papel principal. Desde os bambus e as buganvílias de Grenoble à estátua para a sede da Architecture Foundation.

(1) Arnaudet, Didier - «Appartement Cotlenko». In Goulet, Patrice - Jacques Hondelatte: Des gratte-ciel dans la tête. Paris: Édition Norma, 2000. p.99 (2) Idem. (3) Goulet, Patrice - 'Portrait d'un enchanteur...'. Goulet, Patrice - Jacquest Jondelatte: Des gratte-ciel dans la tête. op. cit.
10.9.10
patio & pavilion

"Na Whitechapel Art Gallery, a 9 de Agosto de 1956, foi inaugurada a exposição «This is tomorrow». Comissariada por Theo Crosby, a exposição reunia 12 montagens sobre as futuras formas de habitação. Alison e Peter Smithson com Edoard Paolozzi e Nigel Henderson, formaram um dos doze grupos – compostos por um pintor, um escultor e um arquitecto – convidados para intervir. A exposição quis incorporar arquitectura, pintura e escultura num amplo campo imagético.
A proposta «Pátio and Pavilion» (1) dos Smithsons, Paolozzi e Henderson consistiu um “habitat” simbólico no qual eram representadas as necessidades humanas: «Pátio and pavilion represent the fundamental necessities of the human habitat in a series of symbols. The first necessity is for a piece of the world – the patio – the second necessity is for an enclosed space – the pavilion – these spaces are furnished with symbols for all human needs» (2). Durante o processo de trabalho do grupo, os arquitectos projectaram a estrutura – o pátio e o pavilhão – os artistas reuniram os diferentes objectos (3).
O pátio, de planta rectangular e coberto com areia, era delimitado por uma cerca de painéis de madeira revestidos por uma superfície de alumínio reflector. O pavilhão era uma cabana com um espaço interior único de planta rectangular e composta por elementos madeira (muitos deles reciclados, em segunda-mão). A cobertura inclinada eram placas onduladas de plástico transparente.
Com as devidas precauções, a apetecida analogia entre o «Pátio and Pavilion» dos Smithsons e a casa Latapie dos Lacaton & Vassal é estimulante. Mais do que as similitudes formais entre a casa Latapie e o pavilhão, existe a ideia na qual «o trabalho do arquitecto providencia o contexto no qual o indivíduo se realiza» (4) através da apropriação e da disposição dos seus “objectos” no espaço.
O pátio de areia (talvez de um deserto) simboliza o espaço de extensão e movimentação da vida “nómada” que se desenrola no interior do pavilhão. O pátio é o lugar para o espectro das actividades humanas simbolizadas por diversos objectos nele espalhados. A cobertura transparente é o pedaço de céu, o clima exterior que se sente no interior através da solução das placas onduladas. A arquitectura do pavilhão, como na casa Latapie, é o cenário para a ocupação, é um habitat, e para os Smithsons «it was more a statement about occupancy and territory than a programme announcing a particular style or approach» (5).
(1) Sobre o «Pátio and Pavilion» ver Smithson, Alison e Peter - The Charged Void: Architecture. Nova Iorque: The Monacelli Press, 2001; Puente, Moisés - 100 anos: Pabellones de Exposición. Barcelona: Gustavo Gili, 2000 (2) Texto de Alison e Peter Smithson no desenho de projecto para «Pátio and Pavilion». (3) Cf. Vidotto, Marco (1997) - Alison+Peter Smithson. Barcelona: Gustavo Gili, 2004, pp.86-91 (4) Ibid. (5) Alison e Peter Smithson apud. Vidotto, Marco, op. cit.
27.10.06
etrA|Arquitectura II
UNStudio
etrA|Arquitectura I
UNStudio
11.7.06
10.7.06
1.5.06
Between youth and age, between the private sphere and the public arena, between the life we live and the life we ant to live, we are all caught between two worlds.»
in EI8HT photojournalism mazine (vol.4 mar06)

