o desconexo

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7.3.14

the vitruvian stamp

O recente número da Trans Magazin - a revista de arquitectura da ETHZ - explora o tema da "Norma". Dentro deste problema, algures na página vinte-e-seis, podem ler um texto/intervenção que escrevi sobre a norma mais tirânica da arquitectura. O texto legenda um objecto que acabou por se apelidar "The Vitruvian Stamp". Para lá da forma e do conteúdo, a componente metodológica deste projeto consistiu em carimbar os mil exemplares da revista - uma operação curto-circuito algures entre impressão mecanizada da revista e o tema que a dirige.

Mais sobre a publicação aqui: http://trans.ethz.ch/en


Foto II: Janina Fluckiger




13.5.13

ferdinand hodler

Hodler a tocar tambor (1910) Fotografia de Gertrud Mueller
Ferdinand Hodler foi um pintor suíço do século XIX e é a melhor desculpa que encontro para convencer o leitor a ir até Basileia, mais precisamente até à Fundação Beyeler. E isto pouco importa onde estiver neste preciso momento.

Hodler viveu entre 1853 e 1918, e a exposição criteriosa da Fundação Beyeler escolheu apenas trabalhos dos últimos 5 anos da sua vida. Um 'ensemble' tardio e com uma força de conjunto muitíssimo forte, tanto pelas obras como pela 'mise-en-scène' dos curadores. Basta cruzar as duas ou três primeiras salas para perceber que ali está muito trabalho, principalmente na luz. Sim, uma luz bem domesticada; penso na iluminação artificial da sala onde se expõe a morte de Valentine Godé-Darel e penso ainda na luz natural daquele dia cinzento, onde os envidraçados do Renzo Piano insistiram em lembrar-me onde estava.

Estão expostos alguns auto-retratos de um homem que não se pintava mal, elegante e de rosto centrado na tela, aparece sempre carregado de carácter. Em alguns auto-retratos julgo mesmo ter visto montanhas de rosto em vez de maçãs. As paisagens dominam em grande número e estão lá para nos demorarmos como se aquilo tudo viesse de um sonho. Por ali ficamos a vadiar nas pinceladas. O olho agarra-se com mais facilidade às paisagens onde a proporção das montanhas é descarada e descabida, e onde céu não ocupa mais do que um sexto da tela. Mais à frente, a surpresa vem da sala onde se mostram as mortes de Valentine, em fase terminal, admirável e cadavérica, também ela pintada como uma paisagem. Muito estruturada em grandes gestos horizontais assim é a morte.

De volta às paisagens, lembro-me que uma das coisas mais bonitas, para quem como eu todos os dias, olha fascinado para o lago Leman, é a mestria que Hodler teimosamente pintou repetidamente a mesma paisagem, no mesmo dia ou em dias diferentes, com o vigor único de quem persegue qualquer coisa que já lá não está à segunda pincelada.

(Para os olhos aqui)

31.7.12

notas sem abrigo e uma wbw sobre o porto

A ausência explica-se.
"Notas sem abrigo sobre habitação" é o nome do texto que, bem ou menos mal, certeiro ou enviesado, escrevi para a werk, bauen + wohnen. O primeiro para um público suíço e em alemão. O texto lembra a Ribeira-Barredo de Távora, o Saal, e evoca cinco projectos a cinco escalas, dimensões, ou contextos dentro da temática da habitação na zona do Porto. Este número da werk debruça-se sobre o Douro, sobre o Porto, e claro, sobre os pritzkers, os dois em um.


29.9.10

Man Ray nas paredes

"Femme aux cheveux longs" (1929) Man Ray
no festival de artes visuais Images em Vevey (CH)

12.12.09

bien placé. mieux trouvé


Desde que o Jencks escreveu o (mau) Iconic Building e desde que os suiços deram o 'sim' à iniciativa da UDC contra a construção de novos minaretes no país, esta foi, sem sobra de dúvida, a manobra publicitária mais inteligente que apareceu nos jornais.
(Nos bastidores, já há várias correntes de esquerda que tentam lançar outras iniciativas para se sobrepor à futura lei anti-minaretes... a democracia directa não tem limites...)

30.11.09

minaretes

Este domingo foi dia de votações para uma série de coisinhas no país do chocolate.
Grande parte dos suíços não acreditavam que a iniciativa popular contra a construção de minaretes pudesse passar em referendo, mas a verdade é que passou.
Para lá das possibilidades que o sistema já disponibiliza para bloquear projectos de arquitectura, eles tinham de que querer mudar a própria constituição.
A democracia directa apresenta perigos que a própria razão desconhece...

(adivinham-se as manifs contra o próprio referendo, para não falar do facebook onde já mexe!)

17.8.09

recorte de jornal

Arrumado no fundo de uma página dedicada aos assuntos da cultura, algures no suplemento 'Economie & Finance', num Le Temps da semana passada:

Le Temps (13.08.2009)

13.12.08

restauro e extensão da villa garbald - miller & maranta



Em 1863 Gottfried Semper desenha a Villa Garbald para Agostino Garbald e a sua mulher escritora Johanna em Castasegna, uma pequena vila perto da fronteira com a Itália. A casa e a parcela são mais tarde doadas à ETH de Zurique que em 2001 promove o restauro da villa e uma extensão para ali instalar um centro de pesquisa e seminários.
O concurso foi ganho pela dupla Miller e Maranta que responde com um volume seco e esguio colocado a um canto da parcella nas traseiras da villa Garbald cuja referência conceptual são os roccoli, pequenas torres características da região do Tessin para a captura de pássaros.
O expressivo prisma pentagonal de planta irregular, colado ao muro da propriedade, eleva-se como um marco que delimita o jardim. Distingue-se da villa Garbald e das construções vizinhas pela depuração das suas linhas e pelas fachadas carimbadas de forma indistinta de janelas quadradas.
O piso térreo abre a sala principal para o jardim exterior através de um grande envidraçado. O interior cresce como uma espiral em torno de uma caixa de escadas irregular de lances sempre diferentes que distribuem para os quartos. No último piso a escada dilata-se para desembocar num pequeno foyer que oferece a paisagem longínqua do vale.








links
informação gráfica (pdf)
fotos Julien Blanc


E ainda um pequeno vídeo tirado da web com uma visita à villa Garbald: