o desconexo

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29.9.10

Man Ray nas paredes

"Femme aux cheveux longs" (1929) Man Ray
no festival de artes visuais Images em Vevey (CH)

17.6.10

fazer e tirar

Philipp Schaerer, Bildbauten Nº01A (2007) 4925x6874

Não consta que Philipp Schaerer seja fotógrafo de arquitectura, no entanto, é de arquitectura que trata no seu trabalho de autor em Bildbauten, mais precisamente, de imagens de arquitecturas. Sem recurso a uma máquina fotográfica, ele cria representações que constrói a partir de uma quase infinita biblioteca de texturas e cores. Na série Bildbauten, Schaerer traça os limites de uma fachada muito sua, para depois copiar-colar os pequenos quadrados segundo uma lógica própria, criando gradações tonais e evocando materialidades familiares com as quais preenche a tela digital... Aliás, poder-se-ia dizer sem desprimor, que na verdade Schaerer é um organizador de pixéis.
As construções de Bilbauten actualizam a noção de trompe-l'oeil contemporâneo através do poder da ilusão. O observador é fintado pelo hiper-realismo e, sem recuo suficiente, prova da frustração imposta pelo imutável ponto de vista, constante nas vinte-e-quatro pranchas da série. Em Bildbauten, Schaerer aborda uma ideia de arquitectura através de imaginários a duas dimensões cuja firmeza quase assoma a realidade na melhor tradição dos renders 3D.

Poder-se-ia aprofundar 'o-que-faz-Schaerer' à luz do capítulo "A realidade recriada" no Linguagens da Arte de Nelson Goodman, mas seria arriscado para ler na ligeireza do formato do des-conexo. Assim sendo permita-se apenas um desvio para apurar uma questão que (para já) dimana do trabalho de Schaerer.
Um dia, na sua Mellon Lecture no Canadian Center for Architecture, dedicada aos primórdios da fotografia de arquitectura, o historiador James Ackerman alertou para a particularidade semântica de se dizer "eu faço um desenho" comparativamente à fotografia onde verbo aplicado não é o mesmo por se dizer "eu tiro uma fotografia". (Eis que o leitor já terá adivinhado onde se quer chegar...)
À luz do "fazer" versus "tirar" de Ackerman na criação de arquitectura, o trabalho de Philipp Schaerer levanta o problema fundamental da sua própria indefinição porque Schaerer por um lado não tira fotografias, por outro, não faz desenhos.

Philipp Schaerer, Bildbauten
com textos Reto Geiser, Philip Ursprung, Martino Stierli e Natalie Herschdorder
80 páginas / editora Standpunkte, Basel

27.5.10

os erros de Sally

Sally Mann, fotografia da série 'Deep South' 1996-1998

Um erro é o que é. Um erro.
Presuma-se que a natureza primária do erro reside na sua imprevisibilidade. Um erro será portanto um evento não antecipável num determinado processo, um conjunto de micro-acontecimentos que se desenrolam para lá da compreensão, gerados ao longo do curso 'normal' do processo.
Coloque-se depois a questão: - o que acontece se o erro for aceite como elemento-parte do processo?
O autor erra. O autor assume o erro. O autor repete o erro. E depois deixa-o acontecer de novo e outra vez. Ele não o contorna, mas também não o procura. O autor parece esperar pacientemente a ocorrência desses micro-acontecimento, e melhor, trabalha o erro e aperfeiçoa-o. O erro, não sendo um fim em si, torna-se a tónica dominante da obra.
Assim se chega a uma encruzilhada. Poder-se-á assumir que o erro se torna mais do que um elemento-parte e que ele é o elemento-chave no processo para atingir um fim (in)esperado. Mas até quando se pode falar ainda da existência de um erro?

Sally Mann, fotografia da série 'Deep South' 1996-1998

Para Sally Mann, fotógrafa americana, o erro é o elemento-chave e por isso Mann chama-lhe 'erro técnico'.
Na série "Deep South" quase tudo reside na ideia de 'erro técnico', conjuntos de micro-acontecimentos premeditados mas não controlados, onde Mann explora processos de acumulação, e onde tudo ganha assento sobre os seus negativos de vidro.
Os erros de Mann são as poeiras, as dedadas, as falhas entre a incerta disposição dos compostos. Camada após camada, como um mil-folhas, os erros sobrepõe-se como se existisse sempre espaço para mais um engano.
No fim chega a luz à qual reagem quimicamente os compostos e à qual se pede o impossível. Através do desequilíbrio do meio não se fixa apenas uma realidade inexacta. Fixa-se o tempo com colódio.
As fotografias de Mann narram desta forma a passagem do tempo e tratam em simultâneo a imutabilidade da paisagem. São carregadas de contrastes onde convivem o detalhe e o indistinto entre a natureza-morta e um ambiente quase fantasmagórico.
Ao fim e ao cabo há qualquer coisa difícil de explicar nas paisagens da Virgínia. Talvez sejam demasiado espessas para se deixarem ver por olhares pouco treinados, ou demasiado densas para se deixarem descreverem.
Por último, entre o que Mann faz e o que diz, fica por resolver a ambiguidade do erro; o desacerto do instante quando o erro deixa de ser o que é.
Um método.

7.1.10

já em documentário...

"Your pictures are incredible for an amateur and better than most professionals..."



VISUAL ACOUSTICS - The modernism of Julius Schulman
A documentary film by Eric Bricker
(com destaque para a narração de Dustin Hoffman!)


30.5.07

Céu #001

Paris às 9 horas e 43 minutos do dia 23 de Março de 2007
fotografia digital a cores, 2048 x 1536px, março 2007

13.5.07

Para ver em Coimbra...

Edit! é uma exposição organizada pela Ellipse Foundation em conjunto com o Centro de Artes Visuais, comissariada por Delfim Sardo, que apresenta obras de fotografia e filme da Colecção Ellipse.

A exposição vai ser mostrada em 2 partes:
6 de Maio a 24 de Junho apresentará obras de:
John Baldessari / Lothar Baumgarten / Bernd & Hilla Becher / Dan Graham / João Maria Gusmão & Pedro Paiva / Jürgen Klauke / Steve McQueen / Catherine Opie / Ed Ruscha / Allan Sekula / Thomas Struth / Jeff Wall

e de 30 Junho a 9 de Setembro apresentará obras de:
Matthew Barney / Rineke Dijkstra / Olafur Eliasson / Robert Gober / Felix Gonzalez-Torres / Douglas Gordon / Candida Höfer / Cameron Jamie / Louise Lawler / Sherrie Levine / Sharon Lockhart / Jarbas Lopes / Steve McQueen / Gabriel Orozco / Jack Pierson / Gonzalo Puch / Rosângela Rennó / Collier Schorr / Lorna Simpson / João Tabarra / Wolfgang Tillmans / James Welling


site da Ellipse Foundation
http://www.ellipsefoundation.com
com informações sobre esta exposição no separador ArtCentre»exposições


site do Centro de Artes Visuais (infelizmente desactualizado e em construção)
http://www.cav.net4b.pt/index.html/

O CAV é aqui 40°12'44"N 8°25'43"W.

25.4.07

WRAPPED I

WRAPPED I
na baixa de Coimbra
abril 2007