o desconexo

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22.8.11

peregrinações de verão e o conselho do Agostinho


"É preciso estar sempre crítico diante daquilo que se vai admirar, o que é diferente do ser crítico daquilo que se ama. Diante do que se ama, não se deve ser crítico, deve-se deixar que o amor nos possua. Mas diante daquilo que se admira, muito cuidadinho - tem de se estar sempre com objecção pronta, a ver se podemos demolir aquilo que admiramos e que não serve afinal para nada." (A.da Silva)

Caro Agostinho, na dúvida, o melhor é ir naqueles momentos de lusco-fusco quando a claridade nos impede de bem admirar e a penumbra apenas nos deixa ver o suficiente.

1.12.09

idade dos porquês

René Magritte "L'explication" (1952)

Harry Gugger: "Pourquoi je quitte Herzog & De Meuron"


7.11.09

metrobasel


O centro de estudos ETH Studio Basel, pilotado por Herzog e De Meuron, lançou uma banda-desenhada. Trata-se da leitura histórica-urbana-social da cidade de Bale em versão 'comic-strip', light e romanceada que contribui para a construção da identidade peculiar desta cidade suiça.

(A ideia até podia ter piada se a BD fosse de facto BD e não apenas uma centena de fotografias filtradas em programas de tratamento de imagem...)

18.10.09

boatos

Boato #1 (confirmado):
O Harry Gugger abandonou os Herzog & deMeuron.
Confirma-se aqui. Mas o boato que ouvi dizia que ele se ia reformar, a notícia do AR diz que (afinal) HG vai montar o seu próprio estudio. A má-língua referia ainda que o estatuto que os jovens 'head-of-project' do estúdio H&dM que rapidamente conseguiam o mesmo estatuto do HG forçaram a saída de alguém que já pertencia à prata da casa.

Boato#2 (não-confirmado e provavelmente invenção):
Jacques (Herzog) e Pierre (De Meuron) vão reformar-se.
O boato que corre por estes lados serve (pelo menos) para especular sobre os destinos da fábrica H&dM. (A reflexão pode eventualmente cruzar-se com as linhas das Catedrais sobre os projectos de Neimeyer-Neta, só que neste caso a hereditariedade não é genética).

12.12.08

o alinhamento dos críticos



Tropecei num artigo do historiador William Curtis (o autor do conhecido tijolo "Modern architecture since 1900") com o título "Les excès du star system: le projet Triangle de Herzog et de Meuron".
Para além de falar do que todos nós já sabemos, desde a cultura do ícone ao vedetismo dos grandes escritórios de arquitectura, aponta dois ou três dardos contra o sistema a propósito da pirâmide que os H&dM querem poisar em Paris.
Curtis alerta para o esvaziamento do projecto: "le projet architectural risque une réduction au niveau de la surface, du signe et de l'effet éphémère" , e considera que o estado actual das grandes encomendas nao é mais do que uma degeneração do efeito bilbao.
Fruto da hiper-inflação do objecto arquitectónico, a velocidade de produção exigida às grandes fábricas de arquitectura colide com a ideia de "tempo de projecto" como tempo de reflexão sobre as problemáticas da cidade, em suma, do contexto. A resposta dada é como um balão de forma exuberante mas cheio de demasiado ar.

Curtis alonga-se.

Tenta desmontar a pirâmide, relata o conflito entre "l'object isolé servant les intérêts privés et le domaine public de la ville" que está em jogo com o projecto dos H&dM e lembra que "Paris n'est ni las Vegas, ni Dubai".

A ler no site do le moniteur.

Frampton já tocou neste assunto na entrevista que postei aqui, agora foi a tacada de Curtis, outros virão porque é inevitável perante a "crise" que não se interrogue a (in)disciplina.
Mas de que forma é que este alinhamento dos críticos vai influenciar o posicionamento dos arquitectos?