o desconexo

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9.7.12

a montanha de balthus

Balthus - The Mountain (1936-37)

Há sensações difíceis de tirar a limpo e...
E de repente estava a receber uma taça de chá das mãos da Condessa Setsuko Klossowska de Rola, a mulher de Balthasar Klossowski. Foi como entrar num 'espaço' da história. Um quase-habitar o 'Grand Chalet' de Rossinière.
Revisito as sequências estreitas, impossíveis de fotografar. Os espaços que só se guardam na memória. Contados são difíceis de acreditar, e com a sorte das palavras certas quase se tornam mitos.
O corredor da entrada revestido a papel de parede amarelecido. A luz "à contre-jour" que invadia os quartos alinhados. As portas que davam sobre outras portas. A parede do corredor pontuada por fotografias cheias de amizade de Cartier-Bresson dedicadas a Balthus. E aquela sala, à direita, cheia das conversas dos nossos passos. De tanto ranger, o soalho parecia cantar e por isso ninguém o interrompeu.
Não havia nada de extraordinário que não fosse já esperado. Tudo era grande demais e muito para lá do tamanho daquela casa.
Dizia que há sensações difíceis de tirar a limpo... e que nos moem de tão exigentes que são.


17.12.11

finalmente...

...alguém percebeu para que serve o vazio.

5.11.11

prazeres

Fat House Moller / Adolf LoosHouse Moller / Adolf Loos (2003)Erwin Wurm

"Vi-me por acaso ao espelho. O meu ar transtornado pareceu-me o mais repelente possível; a cara pálida, reles, má, o cabelo desgrenhado. "Ainda bem, estou contente - disse para mim mesmo -, estou satisfeito, vou parecer-lhes abominável, vai ser um prazer..."" Cadernos do Subterrâneo, Fiódor Dostoiévski

25.5.11

sem título



Acho que já se disse por aqui que o des-conexo gosta de textos manifestamente manifestos... mesmo se no final produzirem aquela sensação... What else? We need it to live.

29.7.09

o canto (in)voluntário da arquitectura


Vista da instalação
"Playing the building" David Byrne, Fargfabriken, Estocolmo 2005

Trataram-se grunhidos na tômbola de comentários do post anterior para hoje se falar da arquitectura que, pelos dedos (ou pela cabeça) de David Byrne, canta. Cliquem aqui e prossigam a leitura.

Foi em dois mil e cinco que David Byrne, a cabeça mais falante dos quatro musicos, apresentou a instalação "Playing the building" no Fargfabriken, um edifício industrial do século XIX transformado em centro experimental para as artes em Estocolmo.
A instalação concentrou-se num armadilhado orgão de tubos colocado no centro da nave do edifício. Da traseira do órgão, uma centena de cabos foram amarrados a diferentes pontos do edifício, de forma a que cada toque de tecla correspondesse a uma acção específica infligida ao complexo. O existente, activado pelo dedo do homem, pelo toque da tecla, produziu uma sinfonia "do it yourself" (ou melhor: "explore it yourself") composta por colcheias de sibilos que atravessaram a canalização, por semibreves de antigos motores de clarabóias que resmungaram em diferentes tons e ainda percussões de ecos vibrantes saídas da estrutura de ferro fundido.

O que quis Byrne fazer com isto? Pôr o espaço a cantar, ou se preferirem, transformar a arquitectura num instrumento; opções que não são exactamente a mesma coisa; visto através do primeiro monoculo excluímos o instrumentista, ao invés, no segundo monóculo, está o instrumentista dentro do seu próprio instrumento. (Recomendo então a visão binocular, uma espécie de "today i discovered stereo sound".)
A instalação "Playing the building" explora a construção para lá dos limites do conhecimento dito normal. O visitante depara-se com a possibilidade de ultrapassar o estado de utilizador para se tornar activador do espaço-som. O activador torna-se (ainda por cima) uma espécie de produtor cognitivo. Os outros visitantes escutam e olham para ver como é? onde é? como faz?
O subversor engenho explora o inexplorado para produzir o inesperado. A acção torna-se num mecanismo de conhecimento do espaço e principalmente da matéria.
Como o conceito é daqueles fortes - os que deslocados do contexto inicial continuam a espantar - David Byrne levou "Playing the building" ao Batterie Maritime Museum, um antigo estaleiro naval de Manhattan (2008), e este ano vai re-instalar o mecanismo no Roundhouse, um pavilhão industrial londrino do século XIX, também transformado em centro para as artes.

Muitos dirão que são grunhidos enquanto outros arriscam dizendo que são "barulhos". Chamem-lhe música se quiserem, mas lá no fundo é arquitectura.


- Escutem aqui ou aqui duas composições (in)voluntário da arquitectura (pop-up)
- Fotos de "Playing the building" 2005 e 2008
- "Playing the Building" no site de David Byrne

Vista da instalação no Roundhouse, Londres (2009)

9.4.09

Marcel

A conversa começou na hora do café. Subitamente sem perceber o fio da meada falou-se sobre a exposição Vide, une rétrospective montada no Pompidou.
A verdade é que o tema é bom. Lembrei-me do Y.Klein e acho que a história começou aí.
O que é que se vai ver quando se visita uma exposição sobre o Vazio?
-Nada... O Nada.
E nisto alguém observou: passa-se mais tempo a ler os textos descritivos do que a ver a exposição. Embalado pela conversa reforcei: se um trabalho sobre o Vazio é fundamentalmente conceptual porque é que o entendimento depende tanto de um texto? Daqui para o lugar comum de o-que-é-arte e o-que-não-é-arte foi um pulo e ninguém me respondeu.
Antes que os cafés arrefecessem ainda houve tempo para ouvir o relato de um episódio singular passado num comboio:
-O seu bilhete por favor.
-Aqui está.
-Alguma das bicicletas na entrada da carruagem lhe pertence?
-Sim, uma.
-Tem o bilhete para a bicicleta?
-Não.
-Presumo que sabe que é obrigatório pagar bilhete para transportar a bicicleta? Sem não tem o bilhete para transporte da bicicleta tem de ser penalizado.
O dono da bicicleta levantou-se, dirigiu-se à bicicleta, desmontou o pneu dianteiro, o pneu traseiro, o selim e perguntou ao revisor se ele já tinha ouvido falar no Marcel Duchamp.

21.12.08

revista de imprensa II

mono-kultur #18 _ autumn 2008

O des-conexo descobriu a mono-kultur numa livraria.

A mono-kultur é uma pequena publicação alemã sobre arte, arquitectura e cultura.
Cada número da mono-kultur é composto em exclusivo por uma extensa e completa entrevista a um produtor da cena contemporânea, ou como os editores a descrevem: Conversations with the interesting few. In full length and depth, extensive and unfiltered.

O último número é o resultado de uma conversa com o trio da villa VPRO, do Mirador e de outras deambulações MVRDV: On statics and statistics.

A mono-kultur sai 4 vezes por ano a um preço apetecível saltando aleatoriamente na interdisciplinaridade temática a que se propõe. É escrita em inglês e na página web podem consultar os outros 17 números já publicados da revista.




link:
www.mono-kultur.com
mono-kultur
publisher Kai von Rabenau
Naunynstrasse 80
10997 Berlin
Germany

11.11.08

Cat'zArts

Étude d'arbres (1764)
Giovanni Battista Piranesi
fonte: cat'zarts

A Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris criou o Cat'zArts. Trata-se do recenseamento online das colecções de arte da escola, incluindo trabalhos herdados da Academia Real de Pintura e Escultura e da Academia Real de Arquitectura fundadas por Luís XIV.

O espólio apresenta mais de 500 mil obras, das quais 69 mil já estão digitalizadas de diferentes formatos: pinturas, esculturas, desenhos, estampas, fotografias e manuscritos. Podemos ver trabalhos de Philibert de l'Orme, Piranesi, Tony Garnier, Charles Garnier, apenas para referir os que acabei de procurar no motor de buscar do Cat'zArts.

Boa visita... Cat'zArts

18.10.08

Cosmodrome - Dominique Gonzalez-Foerster


Foi em 2007 que descobri o trabalho de Dominique Gonzalez-Foerster (DGF) no Palais de Chaillot, onde se expunha Expodrome, a primeira grande reunião de obras da artista francesa.
Uma das "obras" mais interessantes e estimulantes de DGF chama-se Cosmodrome (2001).
O Cosmodrome, produzido em colaboração com Jay-Jay Jonhson, é um espaço pensado no espaço. Passo a explicar. O Cosmodrome é uma sala escura mas podia não ser, o Cosmodrome é um ambiente sem luz, onde entramos caminhando sobre areia. Cada passo é inseguro e incerto. A experiência é a do vazio. Não há nenhuma referência visual, não vemos o que nos envolve, não sabemos onde estamos e não sabemos onde estão os que entraram connosco. A partir deste momento somos bombardeados por sequências de luz, por sequências de som. Pelo meio ouvimos uma voz-off que nos sossega: "don´t be afraid".
Em Cosmodrome, DGF recupera a science fiction dos anos 90 e de Kubrick. DGF trabalha a narrativa de uma viagem intergalática onde a nossa velocidade de percepção fica aquém da velocidade da própria viagem. No final apetece repetir.

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A última obra de DGF é "TH.2058" em exposição desde 13 de outubro no Turbine Hall da TATE. Já li alguns feedbacks e parece que o entendimento do trabalho divide a crítica. Em TH.2058, DGF faz depender o entendimento da obra de uma narrativa que nos apresenta um Turbine Hall transformado em abrigo para as vítimas de uma Londres afectada por um dilúvio no futuro ano de 2058.

Para saber mais:
link. TATE Unilever series
link. narrativa para TH.2058 , DGF
link. times online

26.5.07

O quadro

Não vejo televisão, com excepção de um ou outro telejornal...
E nunca segui nenhuma telenovela!... Até descobrir O QUADRO !

http://www.oquadro.com/

Será provavelmente a "novela" sensação do momento!
Sou um homem mais feliz depois de ter descoberto O QUADRO...

18.12.06

Os retratos de Robert Wilson

A primeira vez que li sobre o Robert Wilson foi aqui .
O Robert Wilson tem criado, desde 2005, um conjunto de retratos. Retratos-video.
Os retratos não são cópia-fiel, são cenografias, teatros...
Aqui fica o Brad Pitt



e a Isabelle Huppert

6.5.06

Intersecção


Intersection
Richard Serra
1992