o desconexo

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13.8.12

preferências

"tipos fixes que fazem cenas porreiras"
vs
"práticas espaciais das novas gerações emergentes"


31.7.12

notas sem abrigo e uma wbw sobre o porto

A ausência explica-se.
"Notas sem abrigo sobre habitação" é o nome do texto que, bem ou menos mal, certeiro ou enviesado, escrevi para a werk, bauen + wohnen. O primeiro para um público suíço e em alemão. O texto lembra a Ribeira-Barredo de Távora, o Saal, e evoca cinco projectos a cinco escalas, dimensões, ou contextos dentro da temática da habitação na zona do Porto. Este número da werk debruça-se sobre o Douro, sobre o Porto, e claro, sobre os pritzkers, os dois em um.


9.7.12

a montanha de balthus

Balthus - The Mountain (1936-37)

Há sensações difíceis de tirar a limpo e...
E de repente estava a receber uma taça de chá das mãos da Condessa Setsuko Klossowska de Rola, a mulher de Balthasar Klossowski. Foi como entrar num 'espaço' da história. Um quase-habitar o 'Grand Chalet' de Rossinière.
Revisito as sequências estreitas, impossíveis de fotografar. Os espaços que só se guardam na memória. Contados são difíceis de acreditar, e com a sorte das palavras certas quase se tornam mitos.
O corredor da entrada revestido a papel de parede amarelecido. A luz "à contre-jour" que invadia os quartos alinhados. As portas que davam sobre outras portas. A parede do corredor pontuada por fotografias cheias de amizade de Cartier-Bresson dedicadas a Balthus. E aquela sala, à direita, cheia das conversas dos nossos passos. De tanto ranger, o soalho parecia cantar e por isso ninguém o interrompeu.
Não havia nada de extraordinário que não fosse já esperado. Tudo era grande demais e muito para lá do tamanho daquela casa.
Dizia que há sensações difíceis de tirar a limpo... e que nos moem de tão exigentes que são.


27.6.12

versailles e vasconcelos

Permitam-me re-centrar o que facto (me) interessa. Quer se goste, ou não se goste, da arquitectura de Versailles, raramente se viu o fundo apagar a figura com tanta facilidade. Extracto facebookiano da minha reflexão matinal

27.5.12

0,3

Eadweard Muybridge, Animal Locomotion, plate 163 (1887)

Estamos mais do que (mal) habituados à relativização das coisas. É (quase) a boa desculpa. Relativizamos por tudo e por nada como se isso nos ajudasse a suavizar a história ou, em erro, a comparar o que não pode ser comparável. E quando damos por nós estamos a admirar as proezas tecnológicas dos próximos jogos olímpicos. Garantem que o tempo entre um resultado no campo demorará 0.3 segundos a espalhar-se na web. E mais. Um terço de um segundo é o necessário para que o espectador sinta que está a assistir em tempo real à competição.
Ou seja, uma má notícia para os que apreciam o suspense. Uma verdadeira dor de cabeça para os que vivem para aqueles momentos de indeterminação em que não se sabe se a bola bateu na linha ou fora dela. Por vezes chegam a ser mais de trinta segundos de espera pela imagens em câmera lenta. São os momentos onde se defendem convicções com a certeza de que não há um amanhã. Os espíritos agitam-se. Ouvem-se indignações no auge da emoção, e com um pouco de sorte, argumentam-se possibilidades mais elaboradas com base no "se" e no "se", que na sua maioria desaparecem logo depois no ápice da repetição. Acalmam-se as cabeças quentes e esbatem-se, de novo, as convicções.
Para uma maioria isto não tem importância nenhuma porque pelo menos, durante trinta segundos, viveu-se um realismo bruto, com as imperfeições que lhe são devidas, e mais real do que o real. A tecnologia, a mando da certeza factual e a troco de um terço de segundo, amputa esse espaço (vital) da especulação (e ás vezes das ideias). Algumas folhas mais tarde, Whang Shu - o Pritzker da arquitectura deste ano - premeditando a vilania da tecnologia olímpica, respondeu aos críticos:
"A minha arquitectura precisa de tempo".
A ver vamos Whang Shu, a ver vamos.


24.5.12

frases descuidadas

Layout para restaurante McDonalds Drive In para Inglaterra e Europa, Gilad Kahana

Dizer "E a faculdade era o que eu chamava um MacJob. Ou seja, era o emprego que me permitia fazer outras coisas à volta, mais criativas, mais libertas da restrição económica que leva a que as pessoas desistam de fazer coisas interessantes" na página 30 do suplemento do Publico do dia 15 de Abril de 2012 na entrevista a Pedro Gadanho.

21.5.12

gropius

Muito bom este momento de © T. Lux Feininger, Sport at the Bauhaus (The jump over the Bauhaus) c.1927, Bauhaus-Archiv Berlin

Walter Gropius nasceu no dia 18 de Maio, há 129 anos atrás. Não foi o mais brilhante, mas os meus botões acham que o senhor Gropius pode (provavelmente) ter sido o mais completo dos "fantastic four" do movimento. E por isso lhe tenho uma admiração especial.
A uma determinada altura o Gropius chateou-se com o Theo Van Doesbourg (que por acaso é outro que guardo numa gaveta especial). Antes ou depois, o Theo escreveu que a Bauhaus ficava aquém das expectativas do seu 'manifesto'. O Jencks conta que a Sra.Van Doesbourg disse ao Zevi que o Gropius colocou um aviso de expulsão da Bauhaus aos estudantes que assistissem as conferencias do Theo.
Hoje já ninguém se aborrece a extremar posições. É pena.
...Ah, sim, o Pan Am é particularmente elegante para uma planta octogonal, e a Bauhaus... essa fica para outra altura...

19.5.12

La condition humaine (1934) René MagrittePodia falar das três razões que me mantiveram longe do teclado. Até podia inventar outras 998 razões. Mas não me apetece. Uma saudação especial para os que ainda não desistiram de vir espreitar por esta janela.

2.3.12

interlúdio tendencioso

Capa da Architecture d'Aujourd'hui, n.201 février 1979

28.2.12

ring! ring!


Quer se concorde, ou se discorde do conteúdo, o New Yorker montou uma das mais divertidas 'críticas' ao filme The Artist. Uma 'crítica' que assenta como uma luva ao criticado, e que não 'criticando' em demasia e utilizando a subtileza como subterfúgio, explorou da melhor forma aquilo em que The Artist se fundou.

Uma nota breve para escrever que o Pritzker 2012, hoje anunciado, não foi assim tão diferente... Apanhou-me de surpresa. E certamente não fui o único. Sejamos honestos, deve ser ínfimo o numero de intelectos ocidentais capazes de explicar com conhecimento de causa porque é que o prémio foi para Wang Shu e o trabalho do Amateur Architecture studio. Se se ignorar a declaração do juri, a explicação possível e conveniente à massa crítica é dizer que o comité do Pritzker começa a mostrar o que já se sabia. As estrelas cadentes já caíram todas e o desalento pelo main-stream esfumou-se no ar que sobrava.
Das duas, uma. 'People forget', o assunto vai durar uma semana e meia entre os media e as conversas de café. Ou vai despontar um interesse súbito no trabalho do AAS e artigos extensos, quase tratados, irão ser escritos sobre a postura 'subculture' da arquitectura de Wang Shu e a importância do traço desta arquitectura nos anos que virão. Hoje eu acredito na primeira hipótese.
Seria oportuno lembrar que um prémio, ou o resultado de um prémio está muito mais dependente da constituiçao do júri do que qualquer ditadura da 'tendência' (ou da queda da ditadura). Sem tirar o mérito à produção do AAS (que não conheço o suficiente), não seria de todo falso dizer que o Pritzker 2012 saiu desta vez com um formato de (bom) golpe de marketing, à semelhança de uma declaração parcial de interesses a favor da renovação do discurso. Político portanto, e afinal, como num filme mudo, 'the mood' é uma questão sonora. A fundação faz tarde o que se sabia que iria fazer, ajudar a contar a história da mudança de paradigmas num golpe de estratégia 'ideologica' em versão softcore.
De volta ao New Yorker... Como David Denby e Richard Brody em "The Critics", o juri do Pritzker entrega este ano um prémio bastante mudo a uma arquitectura discreta, 'mild at heart' e quase silenciosa.

"Ring! Ring!"
"Sorry, about that."
"It's on vibrate now."

16.2.12

virtual self esteem

Daniel Everett, 'Virtual Self Esteem' (detalhe)
Cara M.
desconfio bastante dos 'prémios' e ainda mais quando são ganhos a votos e esses votos são pedido a favor de uma espécie de 'apoteose cultural nacionalista' (para usar uma expressão de Eduardo Lourenço). Mais. Não estou certo da utilidade do prémio como ferramenta de reconhecimento da qualidade do projecto. Tenho quase a certeza que não discordas. O projecto não precisa de um prémio que tem a força de um 'like' porque é bonito e porque ficou bem na fotografia. Desconfio dos prémios do público. Desconfio dos prémios em geral.
Beijo.

interlúdio

O(ma) campo é que vai estar na moda

26.1.12

regresso ao futuro

Marina Abramovic and Ulay, Rest Energy (1980)
"The opposite of a profound truth may well be another profound truth. Niels Bohr

"If my calculations are correct, when this baby hits eighty eight miles per hour... you're gonna see somme serious shit." Dr. Emmett Brown

"A solução para a arquitectura portuguesa é emigrar" A frase de Souto Moura, discursada enquanto recebia um reconhecimento titular e monetário pela sua obra, tem (quase) tudo para ser uma frase (quase) 'histórica' tanto pela hipótese que carrega como pelo contexto em que foi anunciada. Sem uma palavra a mais e sem uma palavra a menos, teria o perfil talhado para a polémica, não fosse a realidade mais do que evidente antes da bandeirada. Difícil é, no entanto, acenar de rosto concordante por se lhe encontrar outro raciocínio talvez menos imediato mas não por isso menos importante. De vocação internacional, a frase soou a anúncio redentor como se o óbvio não fosse ainda evidente aos olhos de todos aqueles que não têm trabalho, ou tendo trabalho, não fazem o que queriam. Parece simples, 'emigrem'. Demasiado simples.
O que aqui não é assim tão evidente é que, ao sair para fora do país essa massa uniforme de ex-recém formados arquitectos, recém-formados arquitectos e futuros recém-formados arquitectos, não é a 'arquitectura portuguesa' que está a emigrar, mas a formação em 'arquitectura portuguesa'. E isto não é bem a mesma coisa.
Ou seja, se considerarmos que os primeiros 5 anos de trabalho de um recém arquitecto são ainda um período de formação, então afirmar que os potenciais emigrantes não carregam ainda essa herança chamada 'arquitectura portuguesa' não é de todo falso. É diferente e com um outro grau de verdade. Dito assim, a diáspora que poderemos vir a assistir é a da 'escola portuguesa' e não da 'arquitectura portuguesa'. Por outras palavras e a verificar-se uma fervorosa adesão ao movimento, o fenómeno não é uma fatalidade, mas está-se ainda longe de entender o seu impacto na forma da 'futura arquitectura portuguesa recente'. A arquitectura portuguesa 'as we know it', que parece padecer da auto-referenciação, pode ter um fim, ou pelo menos um re-desenho do seu conteúdo.

O trabalho vai ser mais difícil para os 'formuladores teóricos' e para os historiadores - Calling all enthusiasts - a 'futura arquitectura portuguesa recente' será complexa na sua génese formativa. Com fontes mais exigentes a dissecar, a historiografia será menos linear e óbvia. Fortemente contaminada por vivências dispersas, a história dos protagonistas - os projectos - será (mais) difícil de contar, e é provável que 'displacement' se prepare para ser uma palavra-chave. No ar o tempo está suspenso e no chão a posição é arriscada. Fica por descobrir de que lado do arco e flecha está a futura arquitectura portuguesa.

25.1.12

interlúdio

'Casabella' 579 (Maio 1991)

15.1.12

o joelho

Desenho de Alice Geirinhas para a revista Joelho #02, Abril 2011

'L'espace appelle l'action, et avant l'action l'imagination travaille' G.Bachelard (1957)

Não quero cometer injustiças ao dizer que me detenho mais tempo a olhar para a capa da Joelho #2 do que a ler o seu interior. Mas cada vez que pego na revista do dArq é isso que me acontece.
O segundo número da nova série do que antigamente era conhecido por "Em cima do joelho" dedica-se ao tema das intersecções entre arquitectura (what else?) e antropologia, e é uma versão 'director's cut', revisitada e ampliada dos Colóquios de Outono realizados em 2009 na UC. A capa - o mote para estas palavras - é singularmente ilustrada por um desenho da artista Alice Geirinhas.

São duas figuras em posição sentada e de perfil, que se enfrentam, de braços estendidos ou apoiados numa mesa que não existe. De olhar vazio, é ali que carregam a expressão do rosto, com rugas em torno dos olhos, como se o confronto de que se fala se passasse a um nível subconsciente.
No eixo entre as duas figuras de traço estilizado, grosso e quase primitivo, está uma casa, no seu sentido mais vasto, de traço geral, um pouco rossiano e afinidades que nos poderiam levam a Hejduk. Foi 'humanizada', de olhos fechados, nariz e tudo, semblante carregado pelo peso das janelas traçadas na face, e a testa solenemente enrugada pelas lages aparentes. O desenho completa a casa com uma cave em dois níveis de contornos menos regulares e que me lembra o primeiro capítulo de Bachelard, 'De la cave au grenier' em 'La poétique de l'espace'.
Entre as duas figuras femininas, a casa, de dois braços - um sobre o plano comum e outro levantado como quem pede a palavra - assume-se "a topografia do nosso ser mais íntimo" (palavras de Bachelard) onde mora o inconsciente das duas personagens.
Nas sombras, adivinha-se que a fonte de luz que dá volume ao corpo da esquerda está algures à direita na composição, e na outra figura tudo é invertido, a luz que revela o tronco cilíndrico virá 'debaixo'.

O repetido exercício de observação do trabalho das sombras constrói a particularidade indigesta do desenho mas também a mais estimulante. A personagem da esquerda, embora recebendo a luz do cimo, tem na perna esquerda uma excepção com uma fonte de luz inferior. A outra personagem repete a irregularidade, trabalhada na sua inversão, com uma quarta fonte a iluminar de forma estranha o braço direito em relação ao resto do corpo.

Com uma montagem particular das sombras que concedem volumetria às duas 'disciplinas', o desenho de Alice Geirinhas tem assim qualquer coisa de perturbador no trabalho da sombra que parece desafiar a percepção comum e que confere à composição e ao conteúdo da revista, por acidente ou inspiração, um desequilíbrio que excita o olho e sublinha as intersecções compiladas em cima deste Joelho.

14.1.12

barbie


É verdade que se tratava de uma ausência lamentável, um esquecimento que parece agora vir tarde demais. Num momento em que no palco dos dramas todos se queixam, e a profissão tende para o seu declínio (eu prefiro falar de re-ajustamento), a Mattel lançou o que devia ter lançado há 10 anos atrás, quando se dizia que ser arquitecto estava na moda, e o sol mediático fazia cintilar meia dúzia de exemplos.
Em todo o seu inesgotável esplendor, a versão do século XX da Vénus de Willendorf, que marcou e marca gerações de meninas e meninos, é arquitecta.
Esqueçam a escolha infeliz do vestido de cor azul em 'dégradé' rematado a rosa forte e o estranho blazer inspirado nas 'clean lines of the citiy skyline'. Nesta série 'I can be', a Barbie traz com ela um par de óculos revivalistas em massa preta, uma série de desenhos perfeitamente enrolados, a indispensável maquete 1:20 da sua 'Dream House' e o capacete de segurança para as recorrentes visitas de obra.
A Mattel entra em 2012 com um produto 'role model or ridiculous' que vai explorar novos segmentos de mercado (aliás uma estratégia inaugurada pela Lego com a 'série arquitectura'), e ainda por cima em plena sintonia com algumas recentes publicações que fazem um importante levantamento da presença feminina: a 'Joelho #1 Mulheres em arquitectura", a  JA 242 Ser Mulher, e, por exemplo no recente inquérito-campanha do londrino The Architects Journal que lhe deu honras de capa com Women in practice).
A icónica Barbie ataca o mercado de trabalho e lança-se numa 'fabulous career, capturing the spirit and style of young architectes' numa loja de brinquedos perto de si e nos mais ousados museus de arquitectura do mundo inteiro.




13.1.12

ele disse curating is the new criticism

Há um ano atrás escrevi umas linhas aqui no blog que começavam por 'candeia que vai à frente'... Essa candeia era Pedro Gadanho.
P. Gadanho é arquitecto e é também uma data de outras coisas excitantes da mesma família.
Não o conheço mas faz parte de uma lista de pessoas com quero tomar um café nesta vida. 'Olá' foi a única palavra que trocámos num contexto circunstancial, um lançamento de um número da revista NU no Porto e isto há alguns anos.
Leio com atenção o que escreve P. Gadanho que recentemente foi escolhido para ser o 'special one' do MOMA. Notícia de jornal, de telejornal, de sítio de internet e até de twitter.
Muito além do 'scoop' do museu de letras gordas, anseia-se para ver o que a assertividade de Pedro Gadanho vai fazer num "place that fuels creativity, ignites minds, and provides inspiration" e não o contrário. Best wishes!

11.1.12

teimosia

Éloge de la dialectique (1937) R. Magritte

A teimosia teima em não fechar esta janela.
Que a compreensão dos olhares seja tão generosa como é incompetente a teimosia.

18.12.11

plan




"I studied architectural drafting, and the one thing I learned is that you always gotta have a plan..."

17.12.11

finalmente...

...alguém percebeu para que serve o vazio.

6.11.11

gramática


Uma achega marginal a propósito de uma inerência.


— Pai...
— Hmmm?
— Como é o feminino de sexo?

5.11.11

prazeres

Fat House Moller / Adolf LoosHouse Moller / Adolf Loos (2003)Erwin Wurm

"Vi-me por acaso ao espelho. O meu ar transtornado pareceu-me o mais repelente possível; a cara pálida, reles, má, o cabelo desgrenhado. "Ainda bem, estou contente - disse para mim mesmo -, estou satisfeito, vou parecer-lhes abominável, vai ser um prazer..."" Cadernos do Subterrâneo, Fiódor Dostoiévski

24.10.11

ainda sobre aquilo


O canto do atelier no catalogo 2010/2011.

23.10.11

linhas emprestadas ou arquitectura-dança

*
Eu e a dança mantemos a má relação... e isto podia ser o princípio de um bom texto.
A ver vamos.

"J'ai lu dans un ouvrage de recherche que décrire la danse était un acte grave.
Je suis d'accord.
Parce que dancer c'est se soustraire au langage articulé.
Parce que regarder la danse c'est se soustraire au langage articulé.
On sait bien que la danse se réduit dans le mot.
Que le vocabulaire, même précis, est insuffisant pour dire l'unicité d'un geste.
Cependant une danse qui ne pourrait s'énoncer n'aurait pas figura humaine.
Décrire la danse. Si ce n'est un acte grave, c'est du moins un acte sérieux."
Séverine Skierski

*Still do "Pina" do Wenders : )